Cidades
Protesto exige justi�a contra assassinatos de homossexuais
CARLA SERQUEIRA Repórter Em protesto pelos crimes praticados contra homossexuais no Estado, o Grupo Gay de Alagoas (GGAL) promoveu ontem à tarde, no centro de Maceió, uma manifestação diferente. Aos olhos da população que transitava no comércio, casais de homens se beijaram no ato que ganhou o nome de ?beijaço?. O presidente da entidade, José Carlos Merthem, explicou que o objetivo é cobrar justiça. ?Ano passado, 17 homossexuais foram assassinados e nenhum dos crimes foi desvendado. É preciso chamar a atenção do povo de alguma maneira?, disse ele. A mãe de José Maciel da Cruz Silva, 29 anos, encontrado morto em Coruripe há 12 dias, com pernas e braços amarrados em lençóis e uma facada no pescoço, Eluziene da Cruz Silva, 44, acompanhou o protesto. ?Estou sofrendo muito. Tenho que lutar por justiça?, dizia ela, emocionada. Faixas e cartazes lembraram também a morte do vereador de Coqueiro Seco Renildo dos Santos, assassinado há 12 anos. Os culpados nunca foram presos. O delegado de Coruripe, Valdecks Pereira, afirmou que uma mulher foi presa por falso testemunho e que hoje vai requerer a prisão temporária de um suspeito. ?Estamos perto de saber quem matou Maciel. Acredito que não foi somente um assassino?. Reações avessas A população, de longe, observava o ?beijaço?. ?Achei ridículo?, disse a dona-de-casa Cleonice, casada com Walter, que opinou: ?Homem foi feito para mulher. Isso é problema de hormônio?. O aposentado José Maia, 85, foi mais agressivo e tachou de ?flagelo social? os homossexuais. Mas nem todas as reações foram contrárias. ?Cada um faz o que quer da vida?, afirmou a pensionista Antônia dos Santos, 66. Um grupo de jovens de uma escola pública apoiou o ato e apresentou um jogral contra o preconceito social. O secretário de Direitos Humanos do GGAL, Dino Alves, acredita que as reações avessas, de alguma forma, são positivas. ?A população não está acostumada a ver o namoro dos homossexuais, que sempre tiveram que buscar os guetos?, dizia ele, ao criticar os cartazes, dizendo que os homossexuais são produtos da moda. ?É a ignorância que incita a violência?, disse.