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Sem-terra do MTL s�o expulsos e denunciam tortura

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| CARLA SERQUEIRA Repórter Trinta famílias de sem-terra viveram momentos de terror na madrugada de ontem. Acampadas entre as fazendas São Bernardo e Bela Vista, na cidade de Murici, elas foram expulsas após a chegada de 80 homens armados em cerca de 20 carros. Os trabalhadores, integrantes do Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), montaram as barracas de lona na segunda-feira, dia 6, e dizem que entre os agressores havia policiais. No momento da invasão, cerca de 50 sem-terra dormiam. Era uma hora da manhã. ?Meu filho foi buscar fuba, bolacha e algumas roupas, por volta das oito e meia da noite, no acampamento vizinho, mas deu nove, dez, onze horas e ele não havia retornado?, disse Elisana Maria da Silva, 37 anos. ?No meio do caminho encontrei os vigias da fazenda Bela Vista. Eles me levaram para um canto e perguntaram quem era o líder, eu disse que era todo mundo. Estavam todos com armas na cintura e batiam minha cabeça no capô do carro?, revelou o adolescente W. J., de 16 anos. Segundo ele, os homens o levaram até o acampamento onde sua mãe o esperava. ?Chegaram já atirando. Todo mundo deitou do chão. Ao todo, 23 sem-terra foram levados para a casa-grande da fazenda Bela Vista. De mulher só tinha eu e uma grávida. Ela passou muito mal com o susto. Um dos capangas jogou a filha dela, de 1 ano e dois meses, no chão, por maldade?, revelou Elisana, ao acusar o ex-prefeito da cidade, Remi Calheiros, como mandante das agressões. ?Eu também fui levada para a casa. Lá, eu vi o Remi. Ele me reconheceu porque meu irmão é motorista dele?, disse ela. ?Um dos homens queria, inclusive, abusar sexualmente de mim. O Remi que não deixou?. De acordo com relatos dos sem-terra, houve sessão de tortura. ?Me fizeram arrancar a bandeira do movimento e jogar no fogo?, afirmou José Gomes dos Santos, 50 anos, que ontem tinha um hematoma no rosto e andava de muleta. ?Eles derramaram seis galões de gasolina nas barracas e tocaram fogo em tudo, documentos, dinheiro, lençóis?, disse Antônio Alves. ?Estavam todos bêbados e encapuzados. Um deles foi chamado de tenente e outros usavam coturnos da polícia?, revelou Everaldo Mendes, 48 anos. ?Eles tinham vários tipos de armas, facões e corda?, detalhou Elisana. Na tarde de ontem, entre 13h e 16h, os integrantes do MTL bloquearam um trecho da BR-104, próximo à entrada de Murici, em protesto à violência a que foram submetidos. Cerca de 300 sem-terra participaram. Entre os manifestantes, o bicheiro Plínio Batista foi visto. Ele é adversário político da família Calheiros. Por pouco, um repórter da Gazeta não foi agredido. ?As vias foram liberadas depois que nos comprometemos a levar os líderes do movimento ao encontro do secretário de Defesa Social?, contou o capitão Casado, do Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar. Elisana, seu filho e outros três sem-terra, ao lado de lideranças estaduais do MTL e da ouvidora agrária regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), conversaram ontem à tarde com o secretário de Defesa Social, coronel Ronaldo dos Santos, pediram a nomeação de um delegado para apurar o fato e seguiram para realizar exame de corpo de delito. O delegado escolhido foi Aylton Soares Prazeres, da Delegacia Regional de União dos Palmares. A Gazeta tentou por várias vezes contato com Remi Calheiros, mas não obteve êxito.

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