Cidades
Cesmac demite 25 e revolta estudantes
LELO MACENA Repórter A demissão de 25 funcionários do Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac), ontem à tarde, causou revolta entre centenas de estudantes da instituição. Na Faculdade de Psicologia, os alunos interromperam as aulas e saíram às ruas para protestar contra o que eles classificavam de ?injustiça? praticada pela direção geral da faculdade. A supervisora do Curso de Psicologia, Adalzete Dória, não sabia explicar os motivos pelos quais os funcionários, alguns com mais de quinze anos de serviço, haviam sido demitidos. ?É lamentável, pois eram funcionários antigos na casa e fundamentais para o bom andamento administrativo do curso?, disse. Vários alunos chegaram a dizer que as demissões teriam sido feitas por motivos políticos e que visavam atingir a direção do curso de Psicologia. ?Nós fomos pegos de surpresa. Queríamos saber os motivos dessa atitude arbitrária. Por que justamente essas pessoas foram escolhidas? Eu não acredito que as demissões foram aleatórias e nem por contenção de despesas?, disse Bruna Diniz, vice-presidente do Centro Acadêmico de Psicologia. ?Nós estamos em um ano eleitoral e o nosso diretor-geral é um político?, afirmou ela. Depois de uma reunião no pátio do campus, os alunos seguiram em passeata pela Rua Íris Alagoense, até o prédio onde funciona a administração do Cesmac, na Rua Cônego Machado. Gritando palavras de ordem, eles interromperam o trânsito e se concentraram na frente do prédio da Fundação Jaime de Altavila (Fejal). Circulava também, entre os estudantes, a notícia de que a direção geral do Centro de Estudos Superiores de Maceió estaria com uma lista de oitenta nomes que seriam demitidos na próxima segunda-feira. Decisão de diretoria Por meio de sua assessoria de comunicação, o Cesmac desmentiu que as demissões seriam por motivos políticos. ?Aqui não tem questão política. A instituição não mexe com questões políticas?, afirmou o jornalista Jorge Moraes. Segundo ele, as dispensas foram fruto de uma decisão da diretoria. ?Toda diretoria tem o direito de trabalhar com quem ela quer, toda instituição tem o direito de fazer isso?, afirmou Moraes. Ele também alegou redução de gastos e citou o exemplo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, que há pouco tempo demitiu 20% de seus funcionários. O assessor de comunicação da Fejal descartou a possibilidade de novas demissões e disse que vai haver remanejamento de pessoal para as vagas deixadas pelos 25 funcionários dispensados. A reportagem da Gazeta conversou com uma funcionária atingida pelas demissões. Acompanhada de familiares, Sandra Cavalcante, que trabalhava no setor de recursos humanos da instituição de ensino superior há 14 anos, confirmou que todas as demissões foram feitas realmente levando em conta questões políticas. ?Quem é da família do Hermes Cavalcante e do José Lima está sendo demitido?, disse Sandra Cavalcante, afirmando que todos os funcionários ligados à antiga direção da faculdade estão sendo perseguidos. ?Peça a eles a lista dos demitidos e você vai ver o que estou falando. A maioria é parente mesmo. Eu estou decepcionada com a empresa, pois não levaram em consideração a minha capacidade profissional, e sim o parentesco?, afirmou.