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Cineasta revela o outro lado de Floriano

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| CARLA SERQUEIRA Repórter Com vontade de gerar polêmica, o cineasta, jornalista e marketeiro político Jorge Oliveira, um alagoano com 57 anos, residente no Distrito Federal, escreveu em 1997 o roteiro do documentário Floriano - A Verdade. As gravações do filme começaram na última segunda-feira, dia 13, no Instituto Histório e Geográfico de Alagoas, em Maceió. As primeiras captações externas foram feitas no dia seguinte, em Ipioca, onde em 1839, numa casa hoje inexistente, nascia o primeiro vice-presidente e o segundo presidente da República do Brasil, marechal Floriano Peixoto. ?Quero trazer à tona todos os fatos da vida de Floriano Peixoto que foram omitidos, que nem eu, nem você estudou na escola?, disse ele, ao complementar: ?Não só as virtudes, mas também os defeitos?. Segundo Jorge, o filme não depende de recursos de órgãos oficiais do governo e por isso conta com maior liberdade. ?Será gerada uma ?polêmica realista?, disso não abro mão. Sempre fui polêmico?, se autodefiniu. ?A polêmica é importante porque abre a discussão sobre o assunto colocado e muita coisa sobre Floriano não foi debatida no País?, explicou. Jorge Oliveira afirmou que o filme começa com uma grande conspiração que vem desde a época do Império, alcançando as forças armadas e os civis. ?Vamos mostrar a conspiração que foi criada em torno da proclamação da República. Sempre existe uma conspiração quando há uma mudança de regime e Floriano Peixoto conspirou o tempo inteiro?, disse ele. O cineasta adiantou também que o documentário, com cerca de 50 minutos, vai mostrar o momento em que Floriano Peixoto, já presidente, mandou fuzilar o sargento Jorgino, considerado o primeiro líder rebelde em seu governo. ?Este sargento estava agitando umas rebeliões no Rio de Janeiro. Floriano Peixoto então o anistiou e deu-lhe um emprego no Diário Oficial. No Recife, o sargento iniciou outro movimento e lá foi fuzilado?. Outras pessoas também foram fuziladas a mando do presidente, em Santa Catarina, durante a revolta que ficou conhecida como a ?Revolta Federalista?. Jorge conta que, por causa da vitória de Floriano contra os rebeldes, a capital de Santa Catarina teve seu nome trocado. Outrora conhecida como Nossa Senhora do Desterro, a cidade passou a ser chamada de Florianópolis. ?Vamos ter depoimentos de historiadores embasando todas as cenas do filme e comentando a maneira ditatorial e autoritária de Floriano governar?, disse ele. ### Documentário será lançado em Ipioca O lançamento nacional do documentário Floriano - A Verdade já tem local certo. Será em Ipioca, na Escola Floriano Peixoto, no mês de julho. ?O filme será transmitido em todas as TVs da rede pública?, contou Jorge Oliveira, ao dizer que está firmando parcerias com as TVs fechadas para também exibirem o documentário. ?Mas o objetivo principal é fazer o filme ser exibido em todas as escolas públicas do País?, diz o cineasta, que aos 16 anos iniciou sua carreira no jornalismo alagoano. Quando finalizar as gravações, Jorge Oliveira já quer iniciar a produção de outros dois documentários: um sobre marechal Deodoro da Fonseca e outro sobre a vida de Duque de Caxias. ?Minha pretensão é terminar de escrever os roteiros ainda este ano?, adianta o cineasta, diretor de filmes premiados. ?Com O poeta e o capitão, documentário sobre o discurso de Pablo Neruda, num Brasil de 1945, para mais de 140 mil pessoas que lotavam o estádio Pacaembu, durante um comício em homenagem a Luiz Carlos Prestes, em São Paulo, ganhei mensão honrosa no 38º Festival de Cinema de Brasília?, informou. ?O filme foi gravado, em 2004, no Chile e no Brasil?. Em 2002, Jorge Oliveira rodou o filme Carlos Drummond de Andrade. ?Neste eu deixei a política de lado e só falei de poesia?. Assim como O poeta e o capitão, este sobre Carlos Drummond foi gravado no ano em que os protagonistas completariam 100 anos de idade. ?Este último recebeu do júri popular o prêmio de melhor filme, durante o Festival de Cinema de Sergipe?, disse ele. No filme de Floriano serão mostradas muitas fotos da época da proclamação da República no Brasil. ?Conseguimos também imagens de objetos pessoais de Floriano, como a farda e a arma que ele usou nas batalhas?. |CS ### Cenas são gravadas com personagens da vida real em AL Numa escola pública do distrito de Ipioca, a professora dava aula como faz todos os dias, há anos. A equipe dirigida por Jorge Oliveira chegou com a intenção de gravar cenas naturais, sem ensaios, sem interferências. No quadro, a lição obrigatória em qualquer aula de História do Brasil: a vida e as façanhas do marechal Floriano Peixoto quando presidente da República. A cena estará no documentário. ?Fizemos boas imagens durante a aula. Quando vamos filmar, uma equipe chega antes e marca com as pessoas. Nesse caso, fizemos questão de deixar todo mundo à vontade. E olha que as crianças de lá estavam bem afiadas sobre os fatos históricos?, revelou o diretor. Para um dos diretores de fotografia, Gilson Pradin, as melhores cenas captadas até agora foram feitas na Igreja de Ipioca, quando acontece o batizado de Floriano Peixoto. ?Tivemos algumas dificuldades, como excluir das imagens a fiação e, principalmente, dois megafones que estavam pendurados no alto da fachada?, disse ele, que assina a fotografia com Adelson Barreto. ?As cenas internas da igreja ficaram muito bonitas?, complementa. Além de Alagoas, nas cidades de Murici, Messias e Maceió, as gravações serão feitas também em Mato Grosso, Santa Catarina, Rio de Janeiro e no Paraguai. ?Devemos finalizar as locações em junho?, afirmou Oliveira. Em Murici, foi um trabalhador de uma fazenda do município quem fez o papel do sargento Jorgino, fuzilado no Recife, de acordo com o roteiro. ?Foi muito engraçado?, comentou Jorge, ?convidamos o rapaz para gravar a cena, e ele aceitou na hora?. Nessa cena, do fuzilamento, segundo Jorge, ?só aparece a silhueta do personagem. A sombra dele na parede. Quando acabamos de filmar, tivemos de chamá-lo para que ele se levantasse. De baixo de um sol forte, se fosse preciso, ele ficaria deitado muito mais tempo. É muito bom gravar com esse pessoal?, disse ele. Juntou muita gente para ver as locações no município de Murici, praticamente no Centro da cidade, de acordo com o filho de Jorge Oliveira, que é diretor-assistente do filme, Pedro Zoca, formado em Cinema pela Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro. ?Quando fomos simular o sangue, sujamos toda a parede da Secretaria de Saúde de Murici com tinta a óleo?. Ele explicou que a idéia é tornar o documentário ?anticonvencional?. ?Queremos dar uma dinâmica interessante no filme para que não se torne monótono, já que será um documento didático, usado nas escolas. Estamos trabalhando com duas câmeras digitais, sendo uma de 24 quadros, Canon XL 2, que traz uma textura diferente para a cena, como se fosse um filme antigo, e uma DSG 500 Sony, que usamos nas entrevistas com historiadores?. Na sexta-feira passada, a locação do filme foi a Messias. As cenas ilustrarão a abolição da escravatura no Brasil. CS

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