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Sem-teto invadem �rea do Estado

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| MARCOS RODRIGUES Repórter Alheias aos festejos carnavalescos, 25 famílias sem-teto, integrantes do Movimento Terra e Liberdade (MTL), iniciaram, ontem pela manhã, a ocupação de uma área pertencente ao Estado, no Complexo Benedito Bentes. A meta é levar para a área 400 famílias oriundas das favelas Santa Helena, da Coca-Cola e Ouro Preto. O MTL também montou acampamentos no interior do Estado. No município de Maragogi, quatro áreas (fazendas Ilha Bela, Bosque, Embiras e Várzea Grande), foram ocupadas por 282 famílias do movimento. Ontem à tarde, no Benedito Bentes, algumas famílias ainda limpavam o terreno para a colocação das cabanas de lona preta e quebravam a calçada em busca da tubulação de água. ?Decidi vir para cá com meus seis filhos porque onde moro a casa está para cair. Depois da enchente de 2002 prometeram uma casa, que nunca veio?, dizia a desempregada Ana Maria da Silva, enquanto tirava moscas do rosto do filho caçula de oito meses. As famílias que foram levadas ao novo acampamento dizem que onde moram correm risco de morte por causa da chegada do inverno. ?Ficarei aqui com meus quatro filhos e minha mulher. Não posso vê-los correndo risco onde nós estávamos?, afirmava o desempregado Manoel Salustiano Silvestre, 32. Segundo o MTL, só serão cadastradas e levadas para o acampamento famílias que comprovem sua condição de miséria, com o testemunho de outras. Durante a ocupação, o discurso adotado pelo MTL era contra os planos habitacionais do governo federal, considerados populares. ?No caso do Programa de Arrendamento Residencial [PAR], as construções para famílias de baixa renda exigem rendimentos entre R$ 1.100 e 2.400. Portanto, nenhuma dessas famílias pode ser atendida?, alega a coordenação de ocupações urbanas do MTL. TRANQÜILIDADE EM MURICI Ontem, no município de Murici, o clima entre trabalhadores rurais do Movimento pela Libertação dos Sem Terra (MLST) e proprietários da Fazenda Boa Sorte estava calmo. Na última quarta-feira, os trabalhadores rurais entraram em confronto com o proprietário da área, engenheiro agrônomo Antônio Nestor Tenório. O confronto deixou dois menores e um líder do movimento sem-terra feridos. O delegado Élvio Alves Brasil disse ontem que iniciou as investigações para apurar as denúncias dos trabalhadores rurais de que teriam sido recebidos à bala por seguranças da fazenda. Ele também tomou alguns depoimentos. ?A perícia que vai apontar dados sobre o caso tem oito dias para ser concluída?, explicou Élvio, descartando a possibilidade de novos confrontos.

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