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Orla ganha nova paisagem com obra de reurbaniza��o

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| FÁTIMA ALMEIDA Repórter De repente, a paisagem da orla da Pajuçara começa a mudar. As quadras de jogos, as praças, as áreas de estacionamento e as calçadas deram lugar a montes de areia; pilhas de tijolos e trechos esburacados. Os canteiros de obras anunciam: a orla está ganhando nova paisagem com o projeto de reurbanização, que promete ligar as praias urbanas, do Pontal da Barra até Cruz das Almas, com calçadas e ciclovias. Por enquanto, é impossível caminhar pela calçada, no techo que vai da Atlantic até os Sete Coqueiros. Em alguns pontos, tapumes obrigam o pedestre a andar pela rua. A poeira e o barulho das máquinas espantam a freguesia. Barracas vazias denunciam o prejuízo dos barraqueiros em plena temporada de turismo. Os donos de hotéis também se queixam. Alguns já perderam hóspedes. Mas entre todos, um sentimento é unânime: eles reconhecem que os transtornos de agora são prenúncio de dias melhores num futuro bem próximo, para quem resistir. Quando terminarem as obras, a iluminação reforçada e postos de policiamento vão garantir mais segurança ao local. Os praticantes de corridas e caminhadas não precisarão mais disputar espaço com os ciclistas. Terão sua própria área, com piso e largura mais adequados. Para isso, todo o pavimento antigo foi removido e está sendo substituído. No projeto, o verde também vai ser trabalhado, ganhando novos componentes de jardinagem. As quadras de outrora vão virar ?praças de esportes?, e as barracas padronizadas terão vizinhas novas: as tapioqueiras estão sendo esperadas por todos com boas-vindas. ?Se elas vierem mesmo pra cá vão dar mais vida e movimento ao local. Todos os dias eu fico olhando da cobertura e imaginando como vai ser. Onde vai ficar o PM-Box; onde ficarão as tapioqueiras. Vai ficar uma maravilha e todos nós saíremos ganhando?, diz Nice Monteiro, gerente de um hotel no início da Pajuçara. No Prejuízo Por enquanto, ela está no time dos mais prejudicados com as obras. ?A gente ouve reclamações do tipo: estou num lugar onde tem obras por todo lado; não dá pra sair; de frente para o mar, mas é difícil chegar até a praia... Já teve hóspede que se mudou?, diz ela. O mais difícil, segundo Nice, é suportar a poeira e o barulho das máquinas o dia inteiro. ?Por mais empenho que tenhamos, é difícil manter o padrão de limpeza. Não passa meia hora, a poeira cobre tudo de novo. As nossas plantinhas estão morrendo?. No entanto, Nice não se deixa abalar em seu otimismo em relação às mudanças. ?Sei que tudo isso é necessário para as melhorias. Só acho que eles poderiam fazer por etapas. Terminar um trecho, antes de abrir outro. Mas estão fazendo tudo ao mesmo tempo?, diz ela. ### Passarelas vão ligar praias de Maceió Essa é a mesma reclamação dos barraqueiros Joel Gomes e Marcelo Roberto. Há quase dois meses eles estão ilhados, cercados de tijolos, areia, buracos, máquinas e homens trabalhando, e sem idéia de quando o trecho será liberado. Os dois calculam prejuízos em torno de R$ 10 mil. Já tiveram que demitir funcionários e negociar com fornecedores. ?Nunca atrasei pagamento. Agora, estou vivendo essa situação?, diz Marcelo. ?Perdemos toda a alta temporada, porque ninguém vem aqui para ficar nessa poeira?, reforça Joel Gomes. Apesar da situação, os dois também estão otimistas em relação às mudanças. ?É bom ver que a prefeitura está investindo em melhorias. Vai ficar muito bonito, e esperamos tirar o prejuízo depois?, ressalta o barraqueiro Joel Gomes. ?Acho que as obras foram iniciadas no período errado, em plena temporada, e estão muito devagar. Eles já poderiam ter concluído esse trecho, mas ao invés disso estão escavando mais adiante?, afirma Marcelo Roberto. Cronograma De acordo com o secretário municipal de Infra-estrutura, Roberto Fernandes, o canteiro de obras da orla de Pajuçara foi instalado em dezembro passado e está com aproximadamente 30% de execução. A previsão para o trecho entre a Atlantic e os Sete Coqueiros, segundo ele, é de conclusão em julho ou agosto, o que significa a ocupação de mais uma temporada turística. Ele reconhece os transtornos causados aos moradores e comerciantes da área, mas destaca que vem sendo feito um esforço para minimizar o problema. ?Em qualquer obra, até na nossa casa, esses transtornos são inevitáveis. Mas temos tido reuniões permanentes com as pessoas atingidas em cada etapa, e temos procurado minimizar os problemas?, afirma Roberto Fernandes. Ele cita como exemplo o trabalho com metralha, nas imediações de restaurantes, ?que só é feito até as 10 horas, para evitar problemas na cozinha, e possibilitar a limpeza para o almoço?, diz ele. A compensação, na avaliação do secretário, virá com o projeto pronto. ?Vai ser tudo novo, na Pajuçara, e esse projeto vai mudar o perfil daquela área, proporcionando mais movimento turístico, que vai beneficiar, principalmente, a rede de bares, hotéis e restaurantes?, diz ele. Segundo Roberto Fernandes, além das praças de esportes e da mudança de piso, as ciclovias estão sendo colocadas, no lado mais próximo da praia. Ciclovias e passarelas Na sequência, outra obra vai emendar ciclovias e passarelas, do Posto Sete, na Jatiúca, até as imediações do Hotel Hitz, em Cruz das Almas, passando por trás do Hotel Jatiúca. Ainda este ano, segundo ele, a prefeitura pretende fazer a ligação da Pajuçara com a Avenida da Paz, emendando com a Praia do Pontal, onde a calçada e a ciclovia estão sendo concluídas. O secretário de Infra-estrutura de Maceió reconhece que essa será uma das etapas mais difíceis, porque envolve a passagem pelo Salgadinho e pela região do Cais do Porto, no bairro do Jaraguá.|FA

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