Cidades
Ordem de juiz lota delegacias e OAB faz cr�tica ao Estado
| Regina Carvalho Repórter A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Alagoas, deve fazer novas visitas, nos próximos dias, a delegacias da capital, como fez no ano passado. Uma das que apresentam superlotação é a especializada de Roubos e Furtos, no Jacintinho. Situação que pode se agravar com a determinação do juiz da Vara de Execuções Penais, Marcelo Tadeu, que proibiu a direção do sistema prisional alagoano de receber presos não sentenciados ou provisórios. ?Queremos ir para o presídio. Não somos animais para viver nesse lixo. Nem dormir nós conseguimos porque é muito apertado aqui?, gritava um dos presos, apontando para o pátio da DRF que acumula lixo, espalhando fedentina pela delegacia. Segundo o delegado titular da especializada, Cícero Lima, atualmente as seis celas abrigam 32 presos. Ele admite que se não conseguir contornar o problema vai pedir apoio ao Tigre - grupo de operações especiais da Polícia Civil. ?Se a situação se agravar vou pedir a transferência deles para o Tigre?, diz, ressaltando que a situação ?já foi pior. Tivemos 60 presos aqui?. Sobre o acúmulo de lixo no pátio, os agentes policiais disseram que é jogado pelos próprios presos, que rejeitam a comida servida. Direitos Humanos Dentre as delegacias de Maceió, a de Roubos e Furtos é uma das que apresentam maior rotatividade e superlotação nas celas. ?Tem que chamar os direitos humanos para ver isso. Estou há 17 dias sem ver a minha mãe?, denunciou um dos que aguardam transferência para um presídio. Para eles, a ida para o sistema prisional pode amenizar problemas como alimentação e visitas. Em Alagoas existem cerca de cinco mil presos em delegacias e dois mil em presídios, segundo dados da Comissão de Direitos Humanos da OAB. Para o advogado Narciso Fernandes, presidente da comissão, a situação das delegacias pode piorar com a proibição de transferência dos presos provisórios para presídios. ?Sem dúvida vai piorar, mas nos presídios a situação também já está insustentável?, destacou. Na opinião dele, a melhor saída para desafogar delegacias e o sistema prisional é a construção de cadeias públicas. ?Falta decisão política de investir na segurança pública. Policiamento na rua somente não basta?, disse. Quanto à denúncia de presos de que a comida servida nas delegacias é estragada e as visitas são proibidas, Fernandes disse que a passagem pelas delegacias deveria ser breve. ?As delegacias não são ambientes seguros para visitas. O momento da prisão é de conflito e a permanência no xadrez complicada. Alguém do Estado precisa propor a construção de cadeias públicas. No ano passado estivemos em algumas delegacias, uma delas foi a Roubos e Furtos e detectamos que os presos não recebiam comida. A delegacia é apenas um local intermediário?, acrescentou Narciso Fernandes.