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Beb� � abandonado e morre de fome

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| FERNANDO VINÍCIUS Repórter Matriz do Camaragibe - A morte de um bebê de um mês chocou moradores do município de Matriz do Camaragibe. A criança teria sido abandonada pela mãe na terça-feira de carnaval e pode ter morrido de fome. A mãe, Maria Luiza Fernandes Barros, 27, nega ter abandonado o filho. Ela foi presa na Quarta-feira de Cinzas e aguarda decisão da Justiça na delegacia regional da cidade. Presa pela Polícia Civil, Maria Luiza é acusada de abandono e pode ser condenada de 4 a 12 anos de prisão. Ela nega ter ficado fora de casa por praticamente dois dias durante o carnaval, como foi denunciado na delegacia. ?Meu filho só tinha um mês e seis dias, estava doente, mas tomava o remédio que passaram no posto de saúde?. A versão de Maria Luiza, que concordou em atender a reportagem da Gazeta na cela improvisada que divide com mais duas mulheres, foi confirmada por uma de suas vizinhas, Gilvanete dos Santos, mais conhecida como Netinha. Ela também mora em um quarto alugado na chamada Vila do Djalma e garante que Maria Luiza saiu de casa apenas na terça-feira de madrugada, na companhia de uma amiga. ?Ela pediu que eu olhasse as crianças, que já estavam dormindo. De vez em quando eu ia lá e quando já estava amanhecendo a filha mais velha dela disse que o neném tinha morrido?, contou Netinha. Maria Luiza voltava para casa quando foi avisada da morte da criança, que sequer teve nome escolhido. Ele era o sétimo filho, sendo que os cinco primeiros são do primeiro relacionamento com o caseiro Edvaldo Lopes. Segundo a mãe, as crianças - três meninas e dois meninos - foram entregues ao pai, que mora atualmente com outra família. Da convivência com o pedreiro Ivanildo Nascimento nasceram dois meninos. Ícaro Anderson e o que morreu. Ontem, Maria Fernandes da Silva lamentava a situação da neta presa e disse que, para sobreviver, ela se prostitui. Na delegacia, Luiza recusa a alimentação e apresenta sinais de depressão. Apesar das dificuldades de ordem econômica, Maria Fernandes da Silva disse que ajuda Maria Luiza a manter a casa. A irmã dela, Rosilda Fernandes Barros, assumiu a responsabilidade de cuidar do sobrinho, que tem pouco mais de um ano, enquanto a irmã estiver presa. Ela, que mora em Maceió, no bairro do Feitosa, disse que vive do comércio de feijão verde, atividade desempenhada com o marido, e que vai tentar ?arrumar um advogado? para a irmã. Rosilda se diz preocupada com Luiza, que, segundo ela, começou a apresentar sinais de depressão desde que o segundo marido a abandonou, entre o terceiro e o quarto mês de gestação do bebê que morreu na última quarta-feira. Álcool e suicídio Rosilda diz que a irmã teria tentado suicídio após a separação e cobra responsabilidade do pai de Ícaro Anderson que, segundo a família dele, estaria morando em São Paulo. José Ricardo, também irmão de Maria Luiza, desmente a informação e disse ter conhecimento de que Ivanildo se encontra em Matriz do Camaragibe. Em relação ao bebê que morreu, a tia diz que Maria Luiza apresentou complicações durante a gravidez, o que a teria levando a consumir bebida alcoólica. ?Ela teve um desentendimento com outra mulher e levou um chute na barriga quando estava no quinto mês de grávida. Por causa disso, ficou uns dias internada na Maternidade Santa Mônica, em Maceió?, lembrou Rosilda. A gravidez teria sido de risco, com o parto do tipo cesariana. ?As trompas dela também foram retiradas durante a operação?, acrescentou Rosilda. Sobre a versão de que a criança teria morrido de fome, Rosilda disse que quando a polícia esteve no quarto da vila onde Maria Luiza morava, havia quatro mamadeiras de ?gogó? prontas. Na delegacia, Maria Luiza assegurou que amamentava a criança, informação confirmada pelas vizinhas. ?O que acontece é que tem gente querendo incriminar minha irmã por causa de problemas particulares?, considerou Rosilda. Ela ressaltou que o bebê estava doente, ?provavelmente com uma infecção intestinal?. Esse mesmo prognóstico foi feito pelas vizinhas de Maria Luiza, que, ontem à tarde, após o enterro da criança, estiveram na delegacia regional de Matriz do Camaragibe, cidade que fica 68 km ao norte de Maceió.

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