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Ap�s ocupar pra�a, sem-teto ganham casa

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| CARLA SERQUEIRA Repórter Depois de passar a segunda-feira ?de plantão? na Praça dos Martírios, diante do Palácio Floriano Peixoto, no Centro, os sem-teto, moradores da cidade de lona instalada ao lado do conjunto Eustáquio Gomes, no bairro Tabuleiro do Martins, agora fiscalizam o trabalho de três máquinas que desde ontem limpam o terreno onde, ainda este ano, serão construídas 690 casas para abrigar as famílias da favela. O líder comunitário José Jorge dos Santos acredita que desta vez as 604 famílias acampadas há quase sete anos na região - a maioria remanejada de grotas por causa do risco de desabamentos em épocas de chuva - terão moradia digna. Segundo o acordo feito entre os sem-teto e o governo, até a próxima sexta-feira a limpeza do terreno deve ser concluída e em 15 dias o edital para a contratação da construtora terá que ser publicado. O resultado deve ser divulgado após 60 dias. Em cada casa, segundo o diretor-presidente da Agência Alagoana de Habitação e Urbanismo (Agahu), Afrânio Vergetti, serão investidos R$ 7.500. Os recursos, no total de R$ 5.175.000, são do Ministério das Cidades e já estão à disposição do governo de Alagoas no Banco da Companhia Hipotecária Brasileira (CHB), no Estado do Rio Grande do Norte. ?Acredito que em seis ou sete meses os sem-teto já terão casa?, disse Afrânio, ao revelar que no terreno ocupado pelas famílias o governo alagoano vai construir escola, praças, postos de saúde, quadras esportivas e até um galpão para reciclagem de lixo. Mas ele não soube dizer quando. ?Vai depender de parcerias com cada órgão público competente?, afirmou. Medo no Benedito Bentes Enquanto os sem-teto comemoram o início dos trabalhos para construção de suas casas, as famílias acampadas no Benedito Bentes permanecem com medo após a tentativa de homicídio contra a líder do Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), Eliane Santos, na noite de sexta-feira, dia 3. Foram quatro disparos, dois deles atingiram um menor. O acusado é o policial militar João Alves, preso no Batalhão de Guardas, no Tabuleiro do Martins, segundo o comandante de Policiamento da Capital, coronel Marcos Brito. ?Ele foi preso em flagrante e está à disposição da Justiça?, disse, ao afirmar que uma sindicância da PM vai apurar o caso. Eliane não acusa ninguém, mas aponta como suspeitos o prefeito comunitário do Benedito Bentes, Silvânio Barbosa, e o líder de um acampamento de sem-teto, instalado ao lado do Hospital Universitário, chamado Gilberto Fernandes. ?Ele não gosta do movimento porque denunciou à prefeitura a venda de lotes por até R$ 1.500?, disse ela, ao cobrar segurança policial. ### Marcha de sem-terra cobra reforma agrária Hoje - Dia Internacional da Mulher - cerca de 800 militantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) e do Movimento das Mulheres Camponesas (MMC) vão percorrer, em marcha, o Centro a partir das 9h. Elas vão visitar o Palácio Floriano Peixoto, a Delegacia das Mulheres, o Banco do Nordeste e as secretarias estaduais de Agricultura e de Educação. ?Queremos agilidade na reforma agrária?, disse Rose dos Santos, do MST, ao explicar que com a reforma, a violência contra as mulheres vai diminuir no campo. ?Muitas são vítimas do machismo e enquanto estiverem acampadas não terão direito aos benefícios federais. Queremos também escola e postos de saúde?. Desde ontem, mais de 400 mulheres sem-terra acupam a Praça Sinimbu. ?Vieram 50 homens, mas para tomar conta das barracas e cozinhar?, diz. |CS

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