app-icon

Baixe o nosso app Gazeta de Alagoas de graça!

Baixar
Nº 5717
Cidades

“Enchente ecol�gica” para o S�o Francisco

O relator da comissão especial destinada ao acompanhamento e avaliação do projeto de conservação e revitalização da Bacia Hidrográfica do São Francisco, senador Waldeck Ornelas (PFL-BA), disse que recomendará em seu parecer a realização de pesquisa sobre

Por | Edição do dia 19/05/2002 - Matéria atualizada em 19/05/2002 às 00h00

O relator da comissão especial destinada ao acompanhamento e avaliação do projeto de conservação e revitalização da Bacia Hidrográfica do São Francisco, senador Waldeck Ornelas (PFL-BA), disse que recomendará em seu parecer a realização de pesquisa sobre a viabilidade da “enchente ecológica”, proposta pelo professor Arno Maschmann de Oliveira, do Departamento de Geociência da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) durante reunião realizada nesta terça-feira. De acordo com o professor, não está havendo mudança climática na região do Baixo São Francisco, mas transformações ecológicas produzidas pela construção de reservatórios para hidrelétricas, como Sobradinho e Xingó. A pesca, por exemplo, caiu, naqueles 200 quilômetros de rio para 10% do que era em 1980, enquanto os bancos de areia se multiplicaram, impedindo a navegação, porque o escoamento das águas é muito lento, explicou. O professor propôs que se utilizasse no Baixo São Francisco a técnica chamada vazão provocada ou “enchente ecológica”, quando, regulando-se os níveis das barragens, seriam assegurados quatro mil metros cúbicos durante 60 dias por ano e 2.060 metros cúbicos por segundo no resto do período. Esse processo eliminaria o assoreamento, ao mesmo tempo em que poderia fazer ressurgir as lagoas marginais, propiciando o crescimento da população de peixes e, depois que elas secassem, a plantação de arroz e outras culturas. Barragens As barragens, ressaltou o professor, eliminam as enchentes naturais que formam as lagoas marginais onde os peixes desovam. Nas lagoas, os alevinos encontram os nutrientes que os tornam “juvenis” em três meses. Nesse estágio eles voltam ao rio em condições de se defender dos predadores naturais, aumentando sua população. A construção de grandes diques também reduz o nível de escoamento das águas, provocando o aparecimento de bancos de areia, que inviabilizam a navegação, além de impedir a passagem da matéria orgânica essencial para a existência e a reprodução dos peixes.

Mais matérias
desta edição