Cidades
Passeatas marcam Dia da Mulher em AL
| FÁTIMA ALMEIDA Repórter Divididas em facções diversas, as mulheres alagoanas ocuparam, literalmente, as ruas de Maceió, na tarde de ontem, em passeatas e manifestações de luta, que marcaram o Dia Internacional da Mulher. O trânsito ficou caótico no centro da cidade. Ruas foram interditadas e várias bandeiras deram um colorido diferente ao calçadão do comércio. Mensagens expressas em várias linguagens ditavam as pautas de reivindicações, que resumiam a luta das mulheres por mais espaço na política; por igualdade de condições no mercado de trabalho e por políticas públicas que possam reduzir os índices de discriminação, violência, opressão e exploração contra a mulher. Este ano as manifestações não foram unificadas. ?Não podemos estar juntas com a CUT [Central Única dos Trabalhadores], porque não defendemos as mesmas coisas?, justifica Ana Lima, dirigente da Conlutas, que fazia manifestação em frente ao antigo Produban, no início do calçadão do comércio. Menos de cem metros adiante, a Federação Alagoana de Capoeira, junto com o Fórum de Entidades Negras de Alagoas, defendia sua mensagem com outra linguagem, numa roda de capoeira só de mulheres. ?A capoeira fala de libertação, de perspectivas de vida, de inclusão social, e é isso que as mulheres querem?, destaca a capoeirista Sirlene Gomes do grupo Guerreiros. Mulheres em marcha Da Praça Sinimbu, cerca de duas mil mulheres saíram em passeata pelas rua do Centro da cidade, a partir das 15 horas. Passaram pela rua João Pessoa e, na Praça dos Martírios, a passeata foi ampliada por outro grupo, coordenado pela CUT, e Marcha Mundial das Mulheres, que saiu do ?espaço lilás? (nome dado pelo movimento, à área em frente à Igreja do Livramento, onde iniciaram a manifestação), em caminhada por dentro do comércio de Maceió. ### Protesto defende avanços na política Na Praça dos Martírios, uma outra caminhada, coordenada pela Secretaria Executiva da Mulher e outros órgãos estaduais e entidades civis, já se formava com a participação de cerca de mil pessoas. Os dois grupos se congratularam, mas cada um seguiu seu rumo. ?Na pauta das trabalhadoras rurais e dos sindicatos havia reivindicações e manifestações contra o governo do Estado. Não seria coerente unificar a passeata, já que a outra foi organizada por entidades do governo?, explicou Jarede Viana, da Marcha Mundial das Mulheres. A passeata das trabalhadoras rurais foi encerrada com uma manifestação em frente à Secretaria Executiva de Educação, depois de dar a volta pelo Centro. ?Cerca de mil crianças estão sem escola nos assentamentos e acampamentos, porque há sete meses o governo não repassa a subvenção para pagar as educadoras das escolas e não assinou o convênio?, denuncia a trabalhadora rural Lúcia Antunes, do assentamento Areias, localizado em Porto de Pedras, no litoral norte de Alagoas. Espaço na política A passeata organizada pela Secretaria Executiva da Mulher estimulava a participação feminina na política. ?A mulher precisa ampliar sua participação; votar e ser votada, e tentar, a cada dia, imprimir sua marca de política com ética e honestidade?, destacou a secretária Vanda Menezes. Na avaliação da secretária de Articulação Fátima Borges, a mulher mostra cada vez mais sua cara nas várias esferas do poder, mas é necessário que avance mais. ?Precisamos de mais mulheres na política; nas câmaras de vereadores, nas prefeituras, na Assembléia Legislativa, e até na presidência da República?, diz ela. A secretária de Saúde e ex-prefeita de Maceió, Kátia Born ponderou que não se conquista esse espaço em um ou dois anos. ?Tem pouco mais de 70 anos que a mulher conquistou o direito de votar, e vimos conquistando espaço gradativamente. Temos que ser mais ousadas em todos os campos da política, das associações comunitárias aos mandatos políticos?. |FAL ### Agricultoras cobram melhor condição de vida no campo | BLEINE OLIVEIRA Repórter Como em todos os anos, a passagem do dia 8 de março, o já tradicional Dia Internacional da Mulher, mobilizou a todos. Café da manhã, reunindo-as num encontro fraterno, e flores, foram presentes dos chefes. Nas ruas, nas repartições públicas, nas lojas, no ônibus, enfim, em todos os lugares não faltou o ?parabéns pelo dia da mulher?. A frase foi repetida milhares de vezes, especialmente pelos homens que, ao chegar no trabalho, cumprimentavam as colegas com as brincadeiras de sempre. ?A festa é só hoje, amanhã volta para a cozinha? , disse o montador de móveis Ricardo Correia Santos, 29, à recepcionista Luciana Florêncio, 22. Os dois riram mostrando que o diálogo não passou de uma brincadeira. Mas, como disse Luciana, revela que apesar de todos os avanços e conquistas femininas a sociedade ainda apresenta valores machistas. ?Não há motivos para comemoração. Queremos receber flores mas também que nossos problemas de saúde, educação, emprego e moradia sejam resolvidos?, disse a técnica em administração Rose dos Santos, voluntária do Coletivo de Mulheres do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Camponesas Junto com uma caravana de cerca de 800 mulheres, vindas de assentamentos e acampamentos das quatro organizações que lutam pela reforma agrária em Alagoas (CPT, MTL, MST e MLST), Rose participou de oficinas e grupos de trabalho no auditório do Espaço Cultural da Ufal, na praça Sinimbu. Além da manifestação pela passagem do Dia Internacional da Mulher, as agricultoras sem-terra vieram a Maceió para uma audiência com o governo do Estado, onde vão reivindicar políticas públicas que lhes garantam melhores condições de vida no campo. ?A saúde e o combate à violência doméstica são duas questões fundamentais para nós mulheres?, afirmou Rose dos Santos. ### Centro vira escritório jurídico, ponto de beleza e de saúde O MST tem em suas fileiras cerca de seis mil famílias acampadas e em 50% delas as mulheres são maioria. Nos assentamentos estão cinco mil famílias e também entre elas a metade é feminina. Com base nos dados, o coletivo vai reivindicar do governo que a Secretaria Estadual de Agricultura qualifique a mão-de-obra feminina, para que mulheres possam assumir lotes de terra da reforma agrária como parceleiras. Enquanto as mulheres sem-terra lutam por suas reivindicações, mulheres advogadas e médicas vão às ruas dar sua colaboração para o avanço do processo de organização da população feminina. As integrantes da Comissão OAB Mulher (da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Alagoas) montaram uma tenda no Calçadão do comércio para prestar orientação jurídica. ?Viemos à rua mostrar que somos mais uma porta onde as mulheres podem encontrar apoio nas questões relacionadas ao direito de família? , disse a presidente da comissão, Marlene Freitas. Separação consensual e litigiosa e pedido de prestação de alimentos são os casos mais comuns na OAB Mulher. Em 2005, o órgão encaminhou 400 ações desse tipo. Um panfleto distribuído no Dia Internacional da Mulher informa sobre os serviços disponibilizados na comissão (2121-3201 e 2121-3231) e número dos telefones de entidades como Defensoria Pública, Delegacia de Crimes Contra a Criança e o Adolescente, Conselho Tutelar, Delegacia de Crimes Contra Mulheres e outros. Mas nem só de lutas, reivindicações e ações judiciais vivem as mulheres. Pensando nisso, a Polícia Militar de Alagoas se juntou à Associação Comercial para transformar o 8 de Março no dia da beleza. Numa tenda montada no Calçadão do comércio, centenas de mulheres puderam cortar, pintar e escovar os cabelos gratuitamente. Elas também puderam fazer consultas médicas nas áreas de dermatologia, ginecologia e clínica geral e medir a pressão arterial. |BL