Cidades
�ndios cobram terra prometida por Funai
| BLEINE OLIVEIRA Repórter Os cerca de 120 índios da tribo xucuru-kariri, do município de Palmeira dos Índios, acampados desde a última quarta-feira na sede da administração regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Alagoas, garantem que só voltam as suas aldeias com uma resposta a sua principal reivindicação. Eles cobram agilidade do órgão no trabalho de avaliação dos 343 hectares de terras que deverão ser distribuídos com as famílias das tribos Fazenda do Canto, Cafurna de Baixo, Coité e Serra do Amaro. A compra das terras é um compromisso assumido com eles pela Funai desde o ano passado e ainda não cumprido. A proposta foi feita para minimizar a difícil situação dos índios do município. Eles têm uma ação na Justiça Federal, na qual reivindicam cerca de 15 mil hectares, mas a conquista dessa terra depende de processo de demarcação que pode demorar anos. Para reduzir a pressão naqueles grupos indígenas, que se sentem donos da terra, a Funai prometeu avaliar uma área onde eles pudessem ficar até ser finalizada a ação judicial que impetraram. ?É um processo de emergência?, explica o técnico indigenista José Heleno, administrador regional da Funai. Ninguém sai Segundo ele, a área reivindicada pelos índios é chamada memorial, algo como terras que já são propriedade da União. Isso impede sua compra com recursos públicos, pois o governo não pode comprar o que já lhe pertence. Por isso, a Funai pagaria pelas benfeitorias realizadas pelos posseiros que ocupam as terras indígenas. ?Só vamos sair com o documento de avaliação na mão?, disse o cacique Ancelmo Xucuru, da aldeia Coité. O documento será enviado aos posseiros, que dirão se aceitam ou não o valor oferecido pela Funai. O grupo que ocupa a sede do órgão é liderado por três caciques e um pajé. Eles falam a mesma linguagem quando se referem à reivindicação e aos problemas na tribo. ?Já esperamos demais. Só sairemos daqui com uma resposta?, afirma o cacique Cícero Francelino, da aldeia Cafurna de Baixo. Ele pede que a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) envie técnicos ao acampamento, pois muitos índios estão com problemas de saúde. José Heleno disse que já comunicou à direção nacional da Funai sobre a invasão e pediu pressa no envio do documento de avaliação das terras. ?Acredito que até segunda-feira, ou antes, esse documento esteja aqui?, previu o administrador.