Cidades
�culos especiais ajudam doente da vis�o
| MARCOS RODRIGUES Repórter A visão é um dos principais sentidos do ser humano. Mas para uma parcela significativa da população isso só é possível com o auxílio de lentes especiais ou até equipamentos sofisticados. As vítimas de glaucoma, males congênitos, intensa exposição ao Sol, Doença Macular Relacionada à Idade podem sofrer com uma visão subnormal. Segundo o médico oftalmologista Eduardo Melo, a ocorrência de pacientes com visão subnormal também se dá quando o fundo do olho apresenta degeneração. ?Ela começa a apresentar pontos que obstruem a capacidade do olho de processar a luz?, afirma Eduardo, enquanto mostra uma radiografia de um globo ocular afetado. O paciente que recorre ao tratamento já superou ao longo da vida etapas que incluem a utilização de óculos convencionais. São pessoas que apresentam grau de miopia muito elevado e que só passam a enxergar com a utilização dos chamados ?óculos fundo de garrafa?. Para os casos não-cirúrgicos, a solução é contar com a utilização de acessórios que possibilitem o mínimo de qualidade de vida. Em Alagoas, segundo a Sociedade Brasileira de Oftalmologia, apenas dois especialistas estão aptos a atender pacientes com esse problema. O médico Eduardo Melo é um deles. Filho de óptico prático ele herdou do pai a capacidade de produzir lupas especiais como outros instrumentos que auxiliam na recuperação da visão. Essa habilidade e o envolvimento com a causa lotam o seu consultório no centro de Maceió. Por dia são mais de 45 atendimentos divididos nos dois horários. ?Atendemos pessoas de baixa renda porque é uma opção nossa. As consultas tradicionais iriam elevar muito os custos e boa parte ficaria de fora?, revela Eduardo. Ele atende pessoas que descobrem, na maioria dos casos, que têm uma deficiência quando ela já está instalada. Sofrimento Um destes pacientes conversou com a Gazeta. O motorista aposentado Antenor Carlos da Silva, 59, conta que há dez anos notou a dificuldade em enxergar. ?Eu olhava assim para uma parte clara e via pontos escuros, que, com o tempo, foram aumentando?, disse enquanto era examinado por Eduardo Melo. Durante a conversa, ele contou que quando trabalhava era comum a exposição visual à luz do Sol. Desde que iniciou o tratamento específico para o problema de visão subnormal, ele conta que tem notado desacelaração no avanço da doença. Ainda assim, a progressão existe e ele sabe que poderá vir a perder a visão completamente. Enquanto isso, Antenor continua contando com a ajuda de Eduardo Melo para enxergar e tocar a vida normalmente. ### Tratamento muda hábitos de pacientes subnormais O trabalho desenvolvido pelo médico Eduardo Melo inclui a produção de aparelhos e óculos especiais para os pacientes com maior deficiência visual. Filho de um óptico prático, ele herdou do pai, Waldir Melo, a habilidade para confeccionar acessórios. Um dos que chamam a atenção é o Circuito Fechado de Televisão. O equipamento, que é composto por uma lente, decodifica as palavras impressas e retransmite a imagem para uma televisão convencional. ?Com isso, pessoas que não conseguiriam ler passam a contar com esse apoio para melhorar sua qualidade de vida?, acredita Eduardo. Um outro equipamento criado e bem-aceito pelos pacientes com visão subnormal é a telelupa. Uma espécie de óculos com armação tradicional, mas que conta com uma potente lente em formato tubular para ampliação da imagem exterior. Esse equipamento, por exemplo, em sua versão importada não sai por menos de 700 dólares. Na clínica de Eduardo ele é produzido e revendido por R$ 240,00. O interesse pelo tratamento de pacientes com visão subnormal surgiu ainda na faculdade. Posteriormente, Eduardo buscou novos conhecimentos na Universidade de Campinas (Unicamp), em São Paulo, onde integrou a equipe de estagiários do médico Newton Korá. O trabalho com visão subnormal ocorre há sete anos. No mês passado, ele participou de um congresso internacional de oftalmologia, realizado em São Paulo, com outros especialistas alagoanos. ?Temos profissionais com extrema capacidade no Estado?, destaca. INTERdisciplinaridade Para oferecer atendimento completo a pacientes com visão subnormal, Eduardo diz que é importante a montagem de uma equipe interdisciplinar. Psicólogos, pedagogos, enfermeiros, clínicos e terapeutas ocupacionais são essenciais. O intercâmbio com outras áreas deve-se ao fato de o paciente vítima de um mal progressivo ter que ser reeducado para viver em sociedade. MR