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Nº 5735
Cidades

Barco naufraga e fam�lia vive pesadelo

Fátima Almeida Repórter Ontem, o ex-pescador e funcionário de um ferro-velho, no bairro de Bebedouro, Paulo Menezes, não foi trabalhar. Estava com o corpo dolorido e se recuperava do cansaço físico e de um grande susto, ao lado dos filhos. No final

Por | Edição do dia 14/03/2006 - Matéria atualizada em 14/03/2006 às 00h00

Fátima Almeida Repórter Ontem, o ex-pescador e funcionário de um ferro-velho, no bairro de Bebedouro, Paulo Menezes, não foi trabalhar. Estava com o corpo dolorido e se recuperava do cansaço físico e de um grande susto, ao lado dos filhos. No final da tarde do último domingo ele teve que nadar por duas horas seguidas em busca de socorro, depois que o barco em que transportava a família, no retorno de um dia de lazer, naufragou no meio da Lagoa Mundaú. Paulo, de 34 anos, a mulher Arlene Maria da Silva, 30 anos, um casal de parentes e mais seis crianças com idade entre 9 meses e 12 anos viveram momentos de pânico - e por pouco não morreram afogados. “Foi um verdadeiro milagre ter saído todo mundo vivo”, diz Arlene, que é mãe de três das crianças que estavam na embarcação. NASCEU DE NOVO Foi por um triz. Arlene chegou a ficar presa embaixo do barco e o bebê Álvaro, de nove meses, que estava em seus braços, se soltou. “Quando conseguimos subir, perguntei pelo menino e ela disse que não conseguiu segurá-lo. Mergulhei e saí procurando dentro dágua. Acho que isso levou uns três minutos. Encontrei-o em estado de choque, quase morrendo afogado. Só Deus para me ajudar a salvá-lo porque a água estava muito agitada”, relata Paulo, enquanto passava a mão na cabeça do filho. “Esse menino nasceu de novo!”. Outro filho do casal, Andriel, de 9 anos, que se agarrou às bordas do barco quando ele virou, foi quem ajudou a mãe e outro irmão a sair debaixo da embarcação. “Tive muito medo de morrer e de perder toda a minha família”, diz ele. Era por volta das 16 horas, quando o barco virou. “O vento Nordeste estava muito forte, e começou a entrar água. O pessoal ficou apavorado e correu todo mundo para o mesmo lado, fazendo o barco virar”, conta Paulo Menezes. As duas horas seguintes foram de medo, incerteza e muita oração. Paulo deixou os menores em cima do barco e os outros boiando, segurando nas bordas, e saiu nadando para pedir socorro. “As crianças choravam. Eu só implorava a Deus; pensava em qualquer coisa, até em aparecer alguém para ajudar. Mas não achava que Paulo iria conseguir atravessar a lagoa e chegar vivo. E eu temia também pelo pequenininho, que estava mal”, relata Arlene. Paulo diz que no percurso só parou uma vez, agarrando-se a uma estaca fincada no fundo da lagoa, para tomar fôlego e prosseguir. Por volta das 18 horas ele chegou às margens da lagoa, no Dique Estrada, onde encontrou uma viatura que fazia socorro no local e pediu ajuda. O Corpo de Bombeiros foi acionado e o Grupo de Salvamento Aquático seguiu com Paulo para a lagoa. Quando chegaram ao local, um pescador, José Cícero Tenório, e sua mulher, que encontraram os náufragos enquanto voltavam para casa, já tinham resgatado as crianças e levado para um lugar seguro. Todos estão bem.

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