Cidades
Camel�s e Bope: Centro vira pra�a de guerra
CARLOS ROBERTS Repórter Uma batalha campal em um cenário urbano, com uso de bombas de efeito moral, prisões, tentativas de arrombamento de lojas, vandalismo e confusão generalizada. Esse foi o clima, que durou toda a manhã de ontem, nas ruas do centro da Cidade, envolvendo camelôs, a tropa de choque do Bope e o prefeito de Maceió, Cícero Almeida. Por volta das 6h, policiais militares e guardas municipais tomaram posição nas ruas do Centro para evitar que os camelôs montassem suas bancas. Eles eram orientados a seguir até o Shopping Popular, em frente à Praça Palmares, um estacionamento improvisado e alugado pela prefeitura por R$ 16 mil mensais, a fim de abrigar cerca de 250 ambulantes. Mas o lugar foi rejeitado pelos camelôs, que reclamam a falta de cobertura e outros itens de infra-estrutura. Uma multidão de trabalhadores se aglomerou em frente à prefeitura. Após uma reunião improdutiva com o secretário de Indústria, Comércio e Turismo, Rafael Tenório, decidiram interromper o trânsito queimando pneus na Ladeira dos Martírios. Depois, o grupo saiu pelas ruas do Comércio e Calçadão, obrigando os lojistas a fecharem as portas. Com medo, os comerciantes obedeciam. Em frente ao local do Shopping Popular, um grupo de ambulantes abriu à força o portão de entrada e quebrou as portas dos banheiros. Esperaram alguns minutos pelo prefeito Cícero Almeida. Como ele não apareceu, resolveram voltar a protestar em frente à prefeitura. Uma comissão de manifestantes foi recebida pelo prefeito Cícero Almeida. Após muita negociação, ele concordou em permitir que os camelôs ocupassem então a Rua Joaquim Távora, no trecho entre a Barão de Penedo até o Banco do Nordeste. E que todos os camelôs, cadastrados, ou não, poderiam permanecer neste endereço, até que o problema da cobertura fosse solucionado. A notícia foi dada aos camelôs pelo próprio Almeida, que foi ao encontro deles na Praça dos Martírios. O problema parecia estar resolvido. Mas quando os camelôs foram ocupar o local destinado pelo prefeito, houve confronto com os integrantes do Bope, armados com espingardas, metralhadoras, bombas de efeito moral e gás de pimenta. Os PMs fizeram várias investidas tentando dispersar a multidão. Um manifestante foi preso. O capitão Roberto Goulart disse que ele era acusado de depredação de patrimônio público. Aos poucos, os lojistas abriram as portas e a rotina voltou ao normal nas ruas do Centro. ### PM dá tiro para o alto e faz multidão cercar guarnição Um cabo da Polícia Militar chegou a sacar o revólver e disparar um tiro no meio da multidão que protestava no Calçadão. O cabo Rafael estava no box da PM no Calçadão, quando viu a multidão de camelôs se aproximar e, Segundo os manifestantes, fez o disparo. Ninguém foi atingido. O box foi cercado e o cabo da PM explicava pelo buraco do ar-condicionado que disparou para o alto para tentar acalmar os ânimos. Outro policial militar permaneceu na porta, protegendo o colega. O tenente da PM Rodriguez conversou com alguns manifestantes e conseguiu apaziguar a situação. Ele disse que o PM iria responder pelo seu ato. ?Certamente ele vai ter de se responsabilizar pelo que fez?, disse o tenente. Cerca de uma hora e meia depois, o cabo Rafael continuava no local. E armado. O capitão Roberto Goulart disse que a identificação dos policiais estava afixada na farda, por baixo do colete à prova de balas. |CR ### Vendedor cadastrado culpa clandestino por manifestação | BLEINE OLIVEIRA Repórter Os ânimos estavam pacificados na tarde de ontem, mas os camelôs ainda discutiam entre si o que fazer após a manifestação que realizaram pela manhã. Reunidos no Shopping Popular, próximo à Praça Palmares, no Centro, eles demonstravam que a divisão entre cadastrados e não-cadastrados é um problema que pode gerar novos protestos hoje. Por volta das 16h, dirigentes da Associação dos Ambulantes, acompanhados de representantes da Prefeitura de Maceió, realizaram o sorteio das vagas entre os 192 trabalhadores devidamente inscritos no cadastro da Superintendência Municipal de Controle do Convívio Urbano (SMCCU). Apesar do tumulto da manhã, todos se mostravam satisfeitos em ocupar o espaço de 1m50 por 2m20. Vândalos Entretanto, antes do sorteio, muita informação desencontrada resultou em revolta de muitos ambulantes. As afirmações deles, que se diziam irritados com o sol forte e a falta de estrutura no local, mostravam que o movimento foi realizado de forma descontrolada e sem que todos soubessem exatamente o motivo pelo qual protestavam. Os que estão em situação legal diziam que o protesto e a quebradeira foram ações de vândalos, provavelmente pessoas ligadas ao grupo que não tem cadastro. ?Estava tudo certo para a gente vir para cá, mas a prefeitura não cobriu o estacionamento?, reclama José Carlos Belo da Silva, 29 anos, que comercializa ?produtos importados?. Já os trabalhadores que não estão cadastrados pela SMCCU acusam a associação dos ambulantes de prejudicá-los e de ?vender pontos? no Shopping Popular. O presidente da associação, Laércio Lira, nega a acusação e desafia: ?Quem comprou ou alugou ponto a mim pode dizer publicamente. Dou R$ 5 mil a quem provar uma mentira dessas?, reagiu ele, que ameaça renunciar por se sentir injustiçado. Imprevisíveis O secretário de Abastecimento, Rafael Tenório, admitiu que podem ocorrer novas manifestações hoje, quando os que não ficaram no Shopping Popular serão autorizados a se instalar na Rua Joaquim Távora. ?Eles são imprevisíveis demais. Acertam uma coisa e no dia seguinte mudam de idéia?, reclama. Segundo ele, há grupos brigando entre si e isso prejudica a discussão pacífica sobre o problema de localização dos ambulantes. ?Vamos esperar que a situação se acomode?, disse Rafael Tenório.