Cidades
Ibama notifica posseiro em S�o Luiz
| FERNANDO VINÍCIUS Repórter Fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) estiveram ontem na fazenda Fomento, zona rural de São Luiz do Quitunde, para notificar os responsáveis pela destruição do que resta da mata atlântica no local. Localizada em terras da União, a propriedade ocupada por posseiros está sendo explorada ilegalmente, prática que está colocando em risco o que sobrou da reserva. A destruição da mata, divulgada com exclusividade pela Gazeta, foi comprovada por fiscais do Ibama acompanhados por dois agentes do Batalhão Ambiental da Polícia Militar. A equipe comandada por Roberto Dantas, chefe de fiscalização do órgão federal em Alagoas, esteve no local onde o posseiro conhecido como ?Zeca de Genoca? foi flagrado pela reportagem durante a queimada e o preparo do terreno para plantio de banana. Além do crime ambiental, foi constatada a construção irregular de uma casa na mata, destruída pelos policiais com ordem do Ibama. Espécies como sucupira, sapucaia, murici e imbaúba foram retiradas das proximidades onde o imóvel estava sendo erguido. Manter a natureza intacta num raio de pelo menos 30 metros de distância em relação às nascentes e respectivos leitos também não foi respeitada. Segundo Tenório, uma fonte de água deixou de seguir seu curso natural devido ao desmatamento. Ele lembra que durante sua passagem pelo município, em novembro de 2005, foi informado sobre a negociação e comunicou ao interessado no lote a ilegalidade da transação. As intervenções verificadas provam que o alerta foi ignorado. O posseiro apontado como responsável pela venda do lote vistoriado foi notificado em sua residência no centro da cidade. José Maria de Barros, o Zeca da Genoca, entrou em contradição ao ser questionado por Clizio Tenório. Ao contrário do que informou à reportagem durante a queimada na mata, ?seu? Zeca admitiu conhecer a pessoa a quem sua filha teria passado a posse do terreno, o vigilante da Usina Santo Antônio, José Medeiros Verçosa Rego, mais conhecido como Galêgo. Os fiscais perceberam mais uma irregularidade em uma área próxima ao lote vistoriado na fazenda Fomento. Parte da mata foi retirada por Alvaci Medeiros de Verçosa sem autorização do Ibama. Questionado pelo fiscal, declarou que tinha derrubado ?uns pés de dendê? para evitar o contato com a rede elétrica. Admitindo que desmatou além do trecho sob os fios de alta-tensão, Alvaci Rego disse que a intenção era aumentar sua lavoura e foi notificado. Impedido de plantar no local, informou que mora há mais de 10 anos na fazenda Fomento no lote que ?seu Murilo deu? para ele morar. A pessoa indicada também é citada na conversa com Ranulfo Palmeira Falcão, vizinho do pedaço desmatado por Alvaci. Ranulfo disse que trocou uma propriedade com 10 hectares localizada em Jundiá, pelo lote onde se instalou em junho do ano passado. Na ponta do outro negócio está novamente Murilo, apontado como um dos maiores posseiros da fazenda. Ele não foi encontrado em casa.