Cidades
Sem-terra ocupam pra�a contra a viol�ncia
| MARCOS RODRIGUES Repórter A violência ocorrida na noite da última terça-feira, dia 14, no assentamento José Lenilson, em Atalaia, contra famílias do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), mobilizou militantes de outros assentamentos e acampamentos a ocuparem, ontem pela manhã, a Praça Barão de Sinimbu, no Centro. Segundo um dos líderes dos trabalhadores, Cláudio José dos Santos, 48 anos, 200 famílias reivindicam o empenho das autoridades contra a violência no campo. ?Os fazendeiros estão cada vez mais violentos?, disse ele, dizendo que o clima na região ficou tenso desde que os sem-terra ocuparam a fazenda Acarí, do ex-prefeito de Atalaia, Jorge Matias. As famílias deixaram a área depois que a Justiça determinou a reintegração de posse. No entanto, a mudança para o assentamento José Lenilson não diminui a violência. Segundo José Cláudio, há 15 dias o acampamento recebeu a visita de um homem que ateou fogo a um dos barracos. ?Ele fez ameças, sugerindo que nossa permanência na área representaria riscos para nossas famílias?. Josefa de Melo Lima, 49, não escondeu o medo. ?Lá o negócio tá feio. Ninguém dorme direito?, conta ela, que está com uma filha e uma sobrinha na praça. Os sem-terra aguardam a chegada a Maceió do ouvidor-geral Gersino Silva. A promotora Marluce Falcão, do Núcleo de Direitos Humanos do Ministério Público também espera se reunir com o ouvidor. Ela aguarda dados da Secretaria de Defesa Social (SDS) sobre o quadro da violência na região. Marluce adiantou que vai mobilizar o promotor de Atalaia para que ele acompanhe o caso.