Cidades
Sem-terra alertam para novos riscos de conflito no campo
CARLOS ROBERTS Repórter Murici - O risco iminente de conflitos no campo trouxe para Alagoas o ouvidor agrário nacional, Gercino Silva. Ontem, ele se reuniu em Murici com líderes de movimentos sociais, representantes do governo do Estado, do Ministério Público (MP) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), para debater o assunto. Na ocasião, o ouvidor agrário ouviu denúncias sobre violência contra sem-terra na região e prometeu tomar providências. Foi o próprio ouvidor quem presidiu a reunião no auditório de uma escola municipal, com a presença do secretário de Defesa Social, coronel Ronaldo dos Santos, o promotor público de Murici, Napoleão Amaral Franco, do representante do Incra, José Carlos Cardoso, além de lideranças do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) Movimento Terra e Liberdade (MTL) e Comissão Pastoral da Terra (CPT). O coordenador do MST em Alagoas, Santino da Silva, disse que há várias gerações o coronelismo tem imposto sua vontade sobre as questões agrárias na região. Segundo ele, nos últimos meses tem crescido a violência no campo. ?Estamos com medo. Porque quando se morre, o máximo que se pode ganhar é um assentamento com o nome da liderança assassinada e uma bandeira em cima do caixão?, disse. O coordenador da CPT, Carlos Lima, relembrou os três casos de violência mais recentes registrados contra os sem-terra na região. Ele cobra justiça pelo assassinato do sem-terra Jaelson Melquíades dos Santos, em novembro do ano passado e pede que sejam identificados e punidos os responsáveis pelo ataque e expulsão dos sem-terra que ocuparam a fazenda Boa Sorte, próximo a Murici, em fevereiro deste ano. O episódio da madrugada da última terça-feira, em que um assentamento em Atalaia foi invadido e queimado, também foi lembrado. O promotor público Napoleão Franco disse que no episódio da fazenda Boa Sorte o inquérito foi concluído no início desta semana e que os autos serão remetidos ao Supremo Tribunal Federal (STF), por constar no depoimento de testemunhas o nome do deputado federal Olavo Calheiros (PMDB), que tem fórum privilegiado. O ouvidor Gercino Silva disse que se reunirá com o governador Ronaldo Lessa para pedir ajuda, a fim de evitar novos conflitos na região, e que enviará um relatório sobre a situação ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, ao qual é subordinado. O secretário da Defesa Social, Ronaldo Santos, saiu antes do final da reunião e não falou com a imprensa. ### Área de conflito já registrou morte O último ataque contra os sem-terra ocorreu na madrugada de terça-feira, 14, no assentamento José Lenilson, na zona rural de Atalaia, ocupado por cerca de 40 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Um grupo de 12 homens encapuzados, armados com revólveres, pistolas e espingardas, invadiu o assentamento, incendiou oito barracos, queimou um cão e ameaçou de morte os sem-terra, que foram expulsos do local. O assentamento fica na mesma área onde o sem-terra Jaelson Melquíades dos Santos foi assassinado, em novembro do ano passado. O ataque fez o MST voltar para Maceió e ocupar a Praça Sinimbu, no centro da cidade, para cobrar medidas de combate à violência no campo. Eles voltaram ontem para Atalaia, após a audiência com o ouvidor agrário nacional, Gercino Silva.