Cidades
Jornalista relembra guerra do Iraque e alerta para terror
| FELIPE FARIAS Repórter Roma poderá ser a próxima capital européia atingida por atentado terrorista promovido por grupos de extremistas do Oriente Médio. ?Até agora é a única cidade que, de alguma forma, foi poupada, em parte, pela presença do Vaticano - mesmo que esses grupos não queiram dar essa conotação religiosa. Mas a verdade é que, se Berlusconi vencer [as eleições administrativas italianas estão marcadas para maio], Roma será atacada. Se a esquerda vencer, a Itália retirará as tropas que mantém no Iraque; se ele vencer - como é um capacho dos Estados Unidos - a cidade será o próximo alvo?, diz o jornalista Cláudio Bulgarelli, que estava em Bagdá quando as tropas norte-americanas invadiram o Iraque e atuou como correspondente. Em 2004, Bulgarelli lançou ?Uma guerra daquelas?, reunindo as fotos do conflito, e prepara ?Caminhos da guerra?, com relatos do mesmo período, e que deverá marcar os três anos da guerra. ?O primeiro livro foi resultado de uma espécie de preguiça da minha parte; por isso é que é só de fotos. Esse outro, não?, brinca ele, que foi colaborador da Gazeta. ?Passados três anos, em que morreram 2,6 mil soldados e foram gastos mais de 100 bilhões de dólares, os Estados Unidos estão num lamaçal pior do que o do Vietnã. Eles, na verdade, não sabem o que fazer: se saírem agora, isso será interpretado como uma derrota - além do que o país vai mergulhar numa guerra civil sem precedentes; se ficarem, vão afundar ainda mais?, avalia. A invasão completa três anos às 4h20 (21h horário de Brasília) desta segunda-feira, dia 20. Bulgarelli se notabilizou também por ter servido como escudo humano (human shield), iniciativa de diversas organizações militantes de direitos humanos européias que se mobilizaram em defesa do povo iraquiano. ### Jornalista atuou como escudo humano O jornalista Cláudio Bulgarelli conta que chegou ao Iraque em 19 de março de 2003, numa viagem praticamente clandestina, já que todas as rotas para o país estavam fechadas, pois o conflito eram iminente. Como ainda mantinha contatos com redações, ele acabou convidado para atuar como correspondente da Rede Globo, quando chegou a enviar três matérias para o programa Fantástico. Ele morava na Itália, quando a situação se agravou no Oriente Médio. ?Com ela, se multiplicaram as manifestações contrárias à guerra por toda a Europa. A maior manifestação da história recente da Itália, por exemplo, foi contra a invasão do Iraque?. Nesse clima, proliferaram iniciativas como a de uma então recém-criada Organização Não-Governamental (ONG) ironicamente fundada por um ex-?marine? (fuzileiro naval) que lutou na primeira guerra do Golfo, mas que trocou a cidadania norte-americana pela holandesa e se mudou para a Inglaterra. A proposta era mandar cidadãos de países aliados para o Iraque, onde funcionariam como ?human shields? (escudos humanos), para persuadir os militares a não bombardear prédios como escolas e hospitais. ?Nós nunca fomos bem compreendidos pelo Ocidente em relação a isso. Muitos achavam que defendíamos Saddam Hussein, quando, na verdade, defendíamos o povo iraquiano?, conta. FF