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Cidades

Ajuda chega, mas Sert�o ainda sofre

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Niviane Rodrigues Repórter Os primeiros raios de sol ainda não surgiram e o calor já é quase insuportável. No meio da escuridão da madrugada, filas se formam nos pontos de distribuição de água. Com latas, baldes e tonéis, dezenas de pessoas aguardam a chegada do carro-pipa que garantirá o abastecimento da casa por uma semana ou mais. Crianças, homens e mulheres ajudam na difícil tarefa de carregar água. Uma cena cada vez mais comum nas cidades e zona rural do sertão de Alagoas, onde na maioria dos municípios não chove desde o inverno do ano passado. O tórrido calor voltou a deixar a região em estado de calamidade, destruiu plantações e tirou do sertanejo o alimento. Não há água para beber, cuidar dos animais e da lavoura. Cisternas secaram e os poucos locais onde a água ainda pode ser encontrada quando o carro-pipa não chega, são pequenas barragens totalmente poluídas. A fome e a miséria castigam o Sertão. Drama Sem trabalho, famílias começam a deixar a zona rural em busca de emprego nas cidades, onde a situação também é de emergência. Para tentar amenizar o drama do sertanejo, o Ministério da Integração Nacional repassou R$ 10 milhões para o Ministério da Defesa retomar a ação emergencial de abastecimento de água com carros-pipa em mais de 400 municípios do Nordeste nos estados de Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Bahia, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e norte de Minas Gerais. Em Alagoas, a operação, denominada ?Pipa 2006?, teve início no último dia 8 e deve levar água a 32 municípios do Semi-Árido. A ação é comandada pelo Exército, a quem os recursos foram repassados e que será responsável pela fiscalização e controle da distribuição de água para evitar o uso eleitoreiro. Uma verdadeira operação de guerra foi montada para levar ajuda ao sertão do Estado. Uma semana após o início da operação, a Gazeta voltou a percorrer municípios da região para acompanhar de perto o trabalho do Exército e a peleja do sertanejo pela sobrevivência. Pipeiros em ação Nas estradas que cortam o sertão de Alagoas o movimento não pára. São os carros-pipa, que dia e noite circulam levando água para os mais distantes povoados. O reforço dos veículos e pipeiros contratados pelo Exército para a ação de emergência mudou a rotina dos sertanejos, abriu novas frentes de trabalho para os donos dos caminhões e trouxe alento para quem não tinha uma gota d?água em casa. ### Carros-pipa ajudam a aliviar flagelo da seca no Semi-árido Em muitos povoados, uma semana após a operação de socorro comandada pelo Exército a água ainda não chegou. Isso porque alguns ajustes no cronograma de distribuição estão sendo realizados pelo Exército para garantir o abastecimento em toda a zona rural da região. Enquanto isso não ocorre, o sertanejo vai sobrevivendo como pode. No calor do Sertão, famílias formam a procissão da lata d?água. Carros de boi e até carroças puxadas por jegues ajudam no transporte de água de barreiros e riachos que ainda não secaram. No município de Dois Riachos, semelhante ao que ocorre em todo o Sertão, para a maioria da população água só mesmo de carro-pipa. Um caminhão havia passado quando a Gazeta chegou ao lugar. Na rua, com panelas e um tonel, a dona-de-casa Genilda Silva dos Santos, 40, aparou a água que derramava do tanque furado instalado no carro. A água abastecerá a casa dela e a da filha, que junto com o marido ajudava no transporte. De cor escura, a água foi retirada de uma barragem e, segundo ela, era vendida por R$ 40, R$ 50 quatro mil litros. A cor da água assusta a quem não está acostumado, mas para o sertanejo não há outra saída. ?Felizmente, na minha casa ninguém adoeceu, mas tem muita gente com diarréia por aqui?, diz. Só promessa O genro, Claudivan Luiz da Silva, atribui aos políticos o sofrimento que enfrentam ano a ano. ?É só promessa. Eles esperam o tempo da política para aparecer. Daí a gente vota neles e depois somem. Vem a seca e começa tudo de novo. Por aqui não chove desde o ano passado, quando caiu uma garoa e não deu nem para encher a cisterna?, afirma. Da pista avista-se a barragem de onde moradores de Dois Riachos retiram a água. No lugar, Romilson do Nascimento Ferreira, 18, enchia dois tonéis com água que, segundo ele, seria usada em uma construção. Carroça e cavalo que transportavam os tonéis foram colocados dentro da barragem. ?Ninguém bebe dessa água aqui, não. É suja e salobra. Só dá para o gado. O povo compra no carro-pipa porque aqui água na torneira não chega?, dizia ele. Carro do Exército, segundo Romilson, ?só chegou na Lagoa da Vargem, um povoado próximo daqui. Para nós, só se comprar. É R$ 4 duzentos litros de água?. Até caatinga secou Mais adiante, uma estrada de barro nos leva à zona rural de Dois Riachos. No Sítio Feijão, nem a caatinga conseguiu sobreviver à estiagem. A vegetação queimou e o calor e a poeira são quase insuportáveis. No arruado, encontramos a família de Lindinalva Maria de Jesus, 55, e Cícero Marcos de Oliveira, 57. O casal foi expulso de um sítio onde morava com cinco netos e uma sobrinha. A casa que ocupam agora foi emprestada por um morador de Dois Riachos e eles haviam mudado naquele dia. Eram 15 horas e o único alimento da família eram bolachas secas com água. Na rua, como eles chamam a cidade, conseguiram com moradores dois baldes de água retirada de um barreiro. ?É toda água que a gente tem?, afirmava Lindinalva de Jesus. ?Só dá para beber; banho, nem pensar, só uma laminha nos pés. Não dá nem pra cozinhar?. Ao lado dela, o marido, Cícero de Oliveira, completa: ?Também, não tem comida!?. NR ### Crianças deixam escola para buscar água No Sertão dos esquecidos, nem as crianças escapam da dura missão de carregar água. Em carros de boi ou a pé, elas andam léguas até conseguir água para abastecer a casa. Jairo da Silva Lima, 15, e o irmão Gilvan, 12, transportavam em um pequeno carro de boi dois tonéis de água que conseguiram na barragem em Dois Riachos, a mesma onde os moradores que não têm cisterna abastecem suas casas. Todos os dias, os garotos são obrigados a percorrer a estrada de barro até a barragem. Eles têm outros sete irmãos, que também ajudam. ?Tem que ajudar em casa. Lá não chega água. Essa aqui é só pra usar na casa. Pra beber a gente pega na cisterna da escola?, diz Jairo, que mora no Sítio Craíbas. A cisterna da escola é abastecida pela água de carro-pipa contratado pela prefeitura do município. Pela manhã, eles estudam no Sítio Garcia, que fica vizinho ao povoado onde moram. Para chegar à escola, andam uma hora e meia embaixo de sol forte. Muitas vezes, para conseguir a água ou ajudar nas tarefas de casa, confessam que acabam não indo à aula. ?Quando a gente vai buscar lenha, tem que faltar na escola; não dá tempo chegar?, conta Jairo. Procissão da água A família de Dioclécio Marques, 52, e Genura Alves, 49, mora à beira da estrada que corta o município de Dois Riachos. Diariamente, eles deixam a casa e saem em busca de água. A filha do casal acompanha os pais. Com eles, seguem também dezenas de moradores que não podem pagar pela água do carro-pipa. O pai segue manobrando o carro de boi, enquanto mulher e filha vão atrás, tentando se proteger do calor. ?O pessoal do Exército veio aqui e disse que ia trazer água. Era pra ter começado sábado [dia 11], mas até agora nada. A prefeitura também não bota água. Lá na associação [comunitária] quando chega é uma briga, aí a gente tem que se virar. Ainda bem que tem a barragem do doutor Ermírio [uma propriedade particular] pra gente pegar água, senão morria todo mundo de sede?, diz Genaura Alves. No carro de boi eles levavam quatro tonéis, que seriam divididos para três casas. ?Lá em casa tem cisterna, mas como não chove há muito tempo, tá seca. Nasci e me criei aqui e toda vez que demora pra trovoar [chover] é assim?, afirma. A conversa com a família é interrompida pela parada de um veículo, cujo motorista, o prefeito de Dois Riachos, Jailton Matias, se aproxima para tentar explicar o que a prefeitura tem feito para amenizar o sofrimento da população. ?Há mais de 90 dias estamos com quatro carros-pipa levando água para escolas, creches e casas da zona rural do município. Agora, com o reforço do Exército, temos mais dois carros?, diz. ?Essa é uma das estiagens mais rigorosas que já tivemos. A chuva que caiu não deu nem para baixar a poeira. É uma situação muito difícil?, reconhece. ÁGUA NA TORNEIRA, SONHO O povoado Tamanduá, no município de Poço das Trincheiras, tem pouco mais de 500 habitantes, que sobrevivem em sua maioria do trabalho na agricultura. No lugar, não há água encanada e todos os moradores dependem do carro-pipa para abastecer suas casas. O carro contratado pela prefeitura despeja a água em uma cisterna na única escola pública do povoado, da rede municipal, que atende 258 crianças. NR ### População madruga na fila da água A chegada do carro-pipa é um momento de alegria para os moradores do Povoado Tamanduá, em Poço das Trincheiras, que esperam desde a madrugada na fila. A diretora da escola municipal onde a água é despejada em uma cisterna, Vânia Lúcia Nobre, diz que a esperança dos moradores é a ampliação da adutora de Olho d?Água das Flores, que vai reforçar o abastecimento em parte do sertão alagoano. ?Há quatro anos, a prefeitura colocou os canos para levar água para as casas, mas é preciso que a adutora seja ampliada porque a água não é suficiente para chegar em todos os povoados?, diz. Trabalho árduO Por enquanto, só mesmo os carros-pipa para abastecer o povoado. O trabalho dos pipeiros começa ainda na madrugada e só termina à noite. ?Para encher o carro demora uns oito a dez minutos. Mas na fila a gente espera pelo menos umas duas a três horas?, diz Cícero Irídio da Silva, 43, que trabalha para a Prefeitura de Poço das Trincheiras transportando água num carro-pipa. Ele faz diariamente três a quatro viagens para reabastecer o carro e levar água para o município. ?Vale a pena. Além de ganhar um dinheiro extra, é um prazer ver a alegria das pessoas?, afirma. No ponto de captação de água da Casal em Olho d?Água das Flores, segundo o gerente operacional da companhia na região da Bacia Leiteira, José Arnaldo Pereira, algumas medidas foram adotadas, após solicitação do Exército, e, na última semana, não havia mais as filas dos primeiros dias de operação. No lugar ficaram apenas 22 pipeiros contratos por prefeituras. Os do Exército foram deslocados para outro ponto, conhecido como Cacimba do Gato, onde dois enchedores facilitam o abastecimento, mas que, segundo o Exército, ainda não são suficientes. ?Nossa maior dificuldade agora são as estradas esburacadas, que acabam com o caminhão e tornam a viagem mais longa?, diz o pipeiro Fernando Vieira, 33. No ponto de captação, dois homens do Exército fazem o controle de todos os pipeiros que chegam para abastecer, conferindo os dados cadastrais antes de liberar o veículo.|NR ### Prefeito barra pipeiros e causa protestos Se para os sertanejos a distribuição de água pelo Exército trouxe novo alento, para os pipeiros a operação garante renda extra e, como afirmam, ?o prazer de amenizar o sofrimento da população?, embora ainda não saibam quanto vão ganhar, já que o cálculo dependerá da quilometragem e da quantidade de água distribuída. Alguns enfrentam outro problema: a resistência de prefeitos em permitir a entrada deles no município. Foi o que ocorreu na última semana com quatro pipeiros que deveriam abastecer Ouro Branco. Segundo eles, que esperavam em um dos pontos de captação da Companhia de Saneamento e Abastecimento d?Água de Alagoas (Casal), em Olho d?Água das Flores, foram surpreendidos no início da operação com a decisão do prefeito de impedir a entrada deles na cidade. ?Ele só quer o pessoal cadastrado pela prefeitura; nós que estamos pelo Exército, não podemos entrar?, diz Ednaldo Cabral de Lima, um dos quatro pipeiros que deveriam estar levando água para Ouro Branco. Quem conseguiu descarregar o caminhão chegou cedo, furou o bloqueio imposto pelo prefeito e despejou a água na cisterna, ponto de captação dos moradores. ?Não me consultaram? O prefeito de Ouro Branco, Valdeci Ferreira de Assis (PDT), confirma a proibição e apresenta sua justificativa. ?Nas reuniões da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), na qual faço parte da comissão de emergência nos municípios, sugeri que os pipeiros fossem dos próprios municípios, que conhecem a realidade da cidade, principalmente da zona rural. Sem levar a sugestão em conta, o Exército começou a operação e eu não poderia aceitar esse tipo de tratamento?, diz. Na última operação de emergência no Sertão, segundo o prefeito, ?houve problemas porque os pipeiros não conheciam os municípios e quando chegavam para abastecer nos povoados já era noite, daí a operação acabou não surtindo o efeito esperado. Além disso, se os pipeiros forem do próprio município, haverá economia de dinheiro. Inclusive, os prefeitos que estavam presentes na AMA concordaram com minha posição?, afirma. ?Choveu bastante? Outra justificativa apresentada pelo prefeito para a proibição é o fato de ter chovido no município no último fim de semana. ?Choveu bastante e as cisternas estão todas cheias. Além disso, de inverno a verão, os dois pipeiros contratados pela prefeitura abastecem a cidade?, afirma, ressaltando que, no município de pouco mais de 11 mil habitantes, estão sendo construídas cisternas. ?Já construímos 700 em parceria com a ASA e a Cáritas, e estamos construindo mais 50 com a Codevasf. Em breve, todo o município estará servido por cisternas?, diz. O prefeito Valdeci Ferreira admite rever a decisão e esta semana negociar com o Exército a entrada dos pipeiros para reforçar a distribuição de água na cidade. ?Vamos voltar a conversar com o Exército, que prometeu que esta semana resolveria este problema. Não queremos fazer campanha política com isso nem tampouco prejudicar nossa população?, afirmou. NR ### Verba não é suficiente, afirma Exército Dos R$ 10 milhões liberados pelo Ministério da Integração Nacional para socorrer os oito estados do Nordeste e o norte de Minas Gerais castigados pela estiagem, Alagoas recebeu R$ 800 mil. O dinheiro deve ser aplicado em ações emergenciais durante o período de dois meses. A verba, no entanto, segundo admite o coordenador da operação no 59º Batalhão de Infantaria Motorizado, capitão Márcio Costa, não é suficiente para atender os 32 municípios alagoanos. ?Esta semana esse valor estará sendo rediscutido?, diz o capitão, sem revelar o montante solicitado ao governo pelo Exército. ?Com uma verba maior, teremos condições de atender mais satisfatoriamente os municípios, já que além dos pipeiros, pagamos também à Casal?, acrescenta. Cinco equipes do Exército com três homens cada uma percorrem os pontos de captação de água localizados em Olho d?Água das Flores, Delmiro Gouveia, Jacaré dos Homens, Belo Monte, Campo Grande, Pão de Açúcar, Traipu e Xingó. Nos primeiros dias de operação, pequenos problemas de ordem técnica estão sendo sanados. ?Tivemos problemas com pipeiros que ainda não apareceram para trabalhar, mas se isso continuar, eles serão excluídos?, diz o capitão. A baixa vazão de água nos reservatórios da Casal e o número de enchedores são outros problemas que o Exército tenta resolver, bem como a inclusão de povoados que não estavam na lista de socorro. Foram cadastrados 80 carros-pipa. Mas o número pode ser ampliado se os recursos forem revistos. Quanto à recusa do prefeito de Ouro Branco, Valdeci Ferreira, em aceitar a ajuda do Exército, o capitão diz que foi o único município a se posicionar contrário, que este é um direito dele, mas que estão em discussão para tentar reverter a situação. NR ### Publicação abre discussão do tema da seca há um século Há de mais de um século, comovido com o drama dos retirantes da seca, o imperador dom Pedro II prometia empenhar a última jóia da coroa para acabar com o flagelo no sertão brasileiro. Até hoje, as jóias continuam intactas e a seca também. No mesmo ano da célebre promessa do imperador, 1877, a seca foi descoberta como tema de discussão da sociedade, tornando-se também o principal discurso político-eleitoreiro. Naquele ano, o jornal O Besouro, do Estado do Ceará, trouxe as primeiras fotos que retratavam o drama do sertanejo, castigado pela estiagem e pela fome. A partir daí, segundo o coordenador do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em Alagoas, Paraíba e Pernambuco e diretor de projetos para a região do Semi-árido, Fábio Atanásio de Morais, o tema ganhou força e conquistou espaço, com a criação de programas voltados para a região. Em 1993, diz o coordenador, ?foi lançado um programa de ação permanente com a carta de princípios da Articulação no Semi-árido Brasileiro (ASA), durante a 3ª Conferência das Partes da Convenção de Combate à Desertificação das Nações Unidas (COP III)?. Já no ano 2000 foi criada a Rede de Educação do Semi-árido Brasileiro (Resab) e em 2004, lançado o Pacto para a Criança e o Adolescente do Semi-árido, assinado por nove governadores do Nordeste, além de Minas Gerais e do Espírito Santo, que se comprometeram a adotar políticas públicas visando melhorar as condições de vida da infância e da juventude na região. O município que também quiser melhorar os indicadores sociais concorre ao selo Unicef Município Aprovado, que atesta que eles implementaram ações para reverter os índices negativos de analfabetismo, mortalidade infantil e contribuíram para o combate ao trabalho infantil. O selo se propõe mobilizar as quase 1,5 mil prefeituras do Semi-árido para realização da agenda do Pacto Nacional. Em Alagoas, 46 municípios concorrem ao selo e têm até outubro deste ano para cumprir todas as metas do Unicef. O selo vai ser concedido em dezembro, durante uma solenidade que reunirá todos os participantes. INDICADORES SOCIAIS Com uma extensão territorial semelhante à França e à Alemanha juntas, o semi-árido brasileiro ocupa uma área total de 974.752 km² nos estados do Nordeste (86,48%), com exceção do Maranhão. O norte do Estado de Minas Gerais (107.343,70 km² ou 11,01%), e o norte do Espírito Santo (24.432,70 km² ou 2,51%). Na região estão concentradas 26,4 milhões de pessoas, sendo 10,9 milhões de crianças e adolescentes. Dessas, 350 milhões, entre 10 e 14 anos, estão fora da sala de aula e 390 mil adolescentes são analfabetos. Segundo dados do Unicef, na região uma em cada seis crianças de 10 a 15 anos trabalha. Outro dado que deve ser levado em conta, de acordo com o coordenador Fábio Atanásio, é a concentração de renda, que segundo ele, ?torna o Semi-árido mais desigual do que o Brasil?. No Semi-árido, diz Fábio Atanásio, ?os índices de pobreza e concentração de renda são os piores de todo o País. Enquanto no Brasil os 20% mais ricos da população detinham, em 2003, quase 60% da renda do Brasil, esse percentual alcançava 80% no Semi-árido. Como conseqüência, os 20% mais pobres do Semi-árido possuíam somente 1,7% da renda, enquanto, na média brasileira, os 20% mais pobres detinham 2,7% da renda?, diz o coordenador.|NR

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