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Moradores quebram pista e interditam AL-101 contra mortes

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FERNANDO VINÍCIUS Repórter Porto Calvo - O atropelamento de duas crianças ontem à tarde em frente ao bairro Mangazala, periferia de Porto Calvo, gerou protestos de moradores, que interditaram a AL-101 Norte. Testemunhas disseram que as meninas foram atropeladas quando cruzavam a faixa de pedestres para pegar o transporte escolar. O oficial de justiça Alexandre Sodré Arruda conduzia o veículo Fox de cor prata, placa MUU 7878, na companhia de três amigos quando provocou o acidente. Ele não prestou socorro, mas foi interceptado pela polícia em Matriz do Camaragibe, de onde foi encaminhado para a delegacia regional. As vítimas foram transferidas para Maceió em estado grave. Revoltada, a população do loteamento localizado às margens da rodovia interrompeu o tráfego por volta das 14h com galhos de árvores e pneus queimados. O protesto teve adesão dos moradores das cerca de 500 casas construídas no bairro, onde os acidentes se tornaram rotina. O motorista Lourenço Silva de Freitas perdeu um filho de 3 anos no dia 18 de dezembro de 2005. Segundo o pai do pequeno Clevison, o veículo estava em alta velocidade quando ultrapassou outro carro e pegou a criança. ?Ele também não parou para socorrer meu filho?, lembrou Lourenço. O menino era a mais recente vítima de atropelamento até o incidente de ontem. Depoimentos de moradores do Mangazala afirmam que a velocidade máxima não é respeitada, nem mesmo após a instalação das placas de sinalização e pintura da faixa de pedestres, medidas tomadas pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) recentemente. A construção das lombadas não foi cumprida, promessa que se tornou motivo da revolta. Cansados de esperar por providências, os próprios moradores pegaram picaretas e abriram um buraco na pista. O protesto foi acompanhado pelas polícias Civil e Militar, inclusive um contingente do Pelotão de Operações Especiais (Pelopes). Filas de veículos formaram-se nos dois sentidos da rodovia. Enquanto passageiros trocavam de ônibus para poder continuar a viagem, condutores de carros pequenos esperavam pacientemente ou então aumentavam o percurso da viagem. Quem seguia em direção ao Recife podia retornar até São Luiz do Quitunde, pegar o acesso até Flexeiras e assim chegar a BR-101 ou então pegar a rodovia estadual 436 e seguir até Porto de Pedras, atravessar o Rio Manguaba de balsa, descer em Japaratinga, onde retornaria à AL-101 Norte. Para os que tinham a capital alagoana como destino, o caminho era mais longo, principalmente depois da interdição da estrada de barro com saída próxima à cidade de Matriz do Camaragibe. Sobrou a opção de retornar para Porto de Pedras e tomar a AL-436 ou então seguir até Jundiá para alcançar a BR-101 em Novo Lino. O funcionário de uma empresa que presta serviços ao DER, Nonato Pereira, estava indignado com a interrupção do tráfego. Ele tinha passado o dia trabalhando na remoção do barro que interrompeu parcialmente o trânsito na estrada que dá acesso a Barreiras do Boqueirão, município de Japaratinga. ?Não se justifica a construção de quebra-molas aqui porque não há moradia dos dois lados da pista?. As explicações não convenceram os manifestantes, que mantiveram o protesto até a chegada de uma comissão do DER. A manifestação foi encerrada às 19h30, depois que os técnicos do DER assumiram o compromisso de discutir com a comunidade uma solução para o local. O encontro será hoje às 8h, em Mangazala.

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