Cidades
Professores rejeitam proposta do Estado e mant�m greve
| BLEINE OLIVEIRA Repórter Os professores alagoanos receberam o apoio do Conselho Estadual de Educação (CEE), mas nem isso garantiu que a categoria conquistasse a sua principal reivindicação. Mobilizados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal), eles continuam em greve e só voltam às aulas se o governo assegurar-lhes isonomia salarial com os demais servidores públicos de nível superior. A isonomia é a principal reivindicação dos trabalhadores da Educação. ?Não abrimos mão desse direito?, repetiu a presidente do Sinteal, professora Girlene Lázaro que, ontem, participou de negociação com o secretário-adjunto de Administração, Marcelo Santana. Os professores correm contra o tempo pois, como é ano eleitoral, há prazos para que o governo apresente, a Assembléia Legislativa vote e o percentual de aumento possa ser implantado na folha da Educação ainda neste exercício. ?O momento é de muita tensão. Queremos voltar ao trabalho, mas a negociação está difícil?, acrescentou Girlene. Na reunião de ontem, na sede da Secretaria de Administração, o governo apresentou uma nova proposta diminuindo os prazos para implantação de um reajuste de 38% para o pessoal de nível superior, a partir de setembro, e de 10%, a partir de maio, para as demais funções. ?Avançamos em relação aos prazos?, disse Marcelo Santana. Caos Mas a direção do Sinteal se manteve irredutível. ?Aceitamos negociar prazos, ou seja, ter a isonomia em parcelas, mas nada além disso?, afirmou a presidente do sindicato, no momento em que a entidade rechaçou a proposta do governo. Ela, como os demais dirigentes sindicais que participaram da negociação, reafirmou que sem a isonomia não há possibilidade de entendimento e a greve continua. ?Estamos perplexos e indignados?, reagiu a professora Lenilda Lima, diretora de formação sindical da entidade representativa dos trabalhadores da Educação. Segundo ela, além de humilhar os professores, deixando-os fora do projeto de valorização do funcionalismo, o governo está descumprindo princípios constitucionais que podem fazer a rede pública estadual retornar a uma situação de caos. Segundo Lenilda, o governo não está investindo na Educação os 25% da receita orçamentária, como estabelecido na Constituição do Estado. Como exemplo desse descumprimento, a dirigente do Sinteal diz que os aposentados da rede de ensino e das instituições estaduais de ensino superior, como a Funesa e a Uncisal, estão sendo mantidos com recursos que deveriam ser destinados unicamente à manutenção e desenvolvimento da educação fundamental e média. Impacto Por isso, completa ela, é falsa a informação do governo de que a isonomia salarial para os professores provocaria impacto de R$ 25 milhões na folha do Estado. ?Os inativos e as universidades devem ser mantidos com recursos do Tesouro, e não com a verba constitucional da Educação?, explicou Lenilda Lima. O professor Evanildo Fernandes Santos, que também acompanhou a reunião, lembrou ainda que a proposta do governo do Estado cria uma diferença entre as categorias, que pode resultar em desestímulo para o professor que está em sala de aula. ?Um secretário escolar terá salário de R$ 2.030, enquanto um professor, com cargo de direção, vai receber R$ 1.700?, reclama ele. Na nota de apoio que aprovou, o CEE apela ?ao espírito de responsabilidade social do governador para que repare as injustiças de que a categoria dos professores vem sendo vítima há quase 30 anos?.