Cidades
Pagamento de servidor ser� tumultuado
| CARLOS ROBERTS Repórter A Caixa Econômica Federal (CEF) acredita que pode haver tumulto nas agências do Estado de Alagoas entre os dias 10 e 12 de abril, caso cerca de 10 mil servidores públicos, que ainda não providenciaram a abertura de contas, não compareçam antes dessa data ao banco para fazer o cadastrado. Depois de vencer a licitação para administrar a movimentação financeira do Estado, o banco ainda não conseguiu cumprir a tarefa de absorver as novas contas de servidores que recebiam seus vencimentos no Banco do Brasil (BB). A preocupação foi externada pelo gerente regional de Marketing da Caixa em Alagoas, Pedro Paes, que reforça o chamamento para que os servidores do Estado compareçam às agências do banco para assinar os cartões e, assim, poder receber seus salários. Até o fim do ano passado, todo dinheiro que o Estado de Alagoas recebia para convênios federais, tributos e pagamentos de servidores era liberado no Banco do Brasil. Em novembro, a Caixa venceu a licitação para movimentar estes recursos e administrar as contas dos 18 mil servidores de Alagoas. Desses, cerca de 1.700 já mantinham conta na Caixa, sendo necessário transferir do Banco do Brasil as cerca de 16 mil novas contas Correntes Pedro Paes disse que para que isso ocorresse antes da data do pagamento dos servidores em abril, a Caixa montou um esquema especial de atendimento no período de 20 a 31 de março. Nesse período, os servidores teriam sido informados sobre o dia e hora marcados para comparecerem às agências mais próximas de onde anteriormente recebiam seus salários, levando os documentos de identidade, CPF, comprovante de renda e residência. Mesmo com o agendamento para atendimento individualizado e com a divulgação de um folder explicando aos novos correntistas as vantagens que terão caso façam a opção por manter o dinheiro depositado na Caixa, apenas 39% deles compareceram para assinar os cartões das novas contas. PRORROGAÇÃO O número, considerado muito abaixo da expectativa, fez com que a direção do banco prorrogasse o esquema de atendimento especial ao servidor até o próximo dia sete. Até lá, em agências como a do Shopping Cidade serão mantidos 20 funcionários exclusivamente para o cadastramento dos novos correntistas. Na agência da Gruta também serão disponibilizados 20 funcionários para atender aos servidores. Pedro Paes faz um apelo para que os servidores que ainda não compareceram à Caixa se apressem, ?porque só vai receber salário quem regularizou a conta?, diz. Segundo ele, quem desejar agendar uma nova data e horário para ser atendido, pode fazê-lo pelo telefone 0800 574-2112 e quem procurar o banco sem agendamento, será atendido na mesma forma. Porém, recomenda-se que o faça após as 15h, quando o número de atendentes é ainda maior. O gerente de marketing acredita que se mesmo com toda esta sistemática os servidores não procurarem o banco, certamente haverá tumulto nas agências da Caixa, no dia do pagamento do funcionalismo. ?Imagine quando a agência abrir e aparecer centenas de pessoas de uma só vez para receber salário, mesmo sem ter aberto a conta. Vai ser um caos?, diz. ### Dúvidas dificultam migração de contas Apesar do prazo para que os servidores façam a mudança de conta do Banco do Brasil para a Caixa Econômica, o movimento de funcionários públicos nas agências ainda é pequeno. Esta semana a Gazeta esteve na agência da Caixa do Shopping Cidade onde, logo na entrada, uma funcionária com uma listagem dos servidores públicos oferece um folheto explicativo e responde às perguntas mais freqüentes, como, por exemplo, se quem já tem cheque especial de outro banco terá o mesmo tratamento na condição de novo correntista. A atendente explica que isso dependerá de uma análise de dados cadastrais. Outra pergunta freqüente é sobre quem possui financiamento ou dívida em outro banco. Neste caso, segundo orientação do banco, poderá ser feita uma nova consignação na Caixa para quitar o débito em outro banco. Entre os funcionários do Estado que procuraram atendimento esta semana, estava a servidora da Saúde Claudete Oliveira. Ela disse que não teve problemas em abrir a nova conta e elogiou a rapidez no atendimento, porém, não decidiu se manterá seu dinheiro na Caixa ou no BB. ?É que tenho que pensar em algumas coisas. Vou decidir com meu marido, que também é do Estado?, disse. Avessos às preocupações da direção da Caixa, os policiais militares estão comparecendo em grande número às agências do banco. Pelo menos é o que garante o presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar, Vagner Simas. Ele explica que para que isso fosse possível, a própria associação fez um trabalho de divulgação e conscientização do servidor, pois devido aos diferentes e nada convencionais horários de trabalho dos PMs, alguns têm dificuldade em ter acesso a meios de comunicação em massa. ?Por isso, nós mesmos fizemos o trabalho de informar o PM, por meio de nossos boletins?, diz Simas. A associação acredita que cerca de 80% dos cabos e soldados estejam com sua situação regularizada e os demais já têm data e hora para ir à Caixa resgatar o cartão e cadastrar a senha. Já os professores não parecem tão tranqüilos em relação à migração das contas dos servidores do BB para a Caixa. A diretora de formação sindical do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas, Lenilda Lima, diz que a categoria espera que as mudanças não tragam transtornos para os servidores. ?Não vamos tolerar que nenhum direito nosso seja violado?, adverte Lenilda. Para que isso não aconteça, ela diz que basta a Caixa manter apenas uma ?conta salário? para os servidores que resistam à migração, evitando pagar duas vezes pelo imposto por movimentação financeira, a CPMF.