Cidades
Depois da digital, lambe-lambes enfrentam camel�s
| Fátima Almeida Repórter As dificuldades de sobrevivência dos tradicionais ?lambe-lambes?, que há tempos vêm perdendo a vantagem do imediatismo para as modernas máquinas digitais, ganham um componente a mais no centro de Maceió: a ameaça da falta de espaço para trabalhar. Atuando há vários anos na Praça dos Palmares e num pequeno espaço por trás do Ginásio Estadual, na Rua Dias Cabral, eles estão assustados com a anunciada chegada de novos inquilinos: a prefeitura já apontou a praça como área provável de concentração dos camelôs que ficaram na Rua Joaquim Távora; na Dias Cabral o governo iniciou os procedimentos para a construção do restaurante popular. Os efeitos da redução de espaço já são sentidos. Segundo o fotógrafo Moisés de Almeida, que trabalha na Dias Cabral há 28 anos, já chegou a ter doze lambe-lambes trabalhando naquela área. Há pouco tempo eram seis. Mas agora, que as obras começaram, dois já desistiram, e restam apenas quatro. Mas segundo ele, o espaço está garantido para quem resistiu. ?Conversamos com o prefeito e ele disse que vai ajeitar um lugarzinho pra nós, aqui mesmo!?, diz. Na Praça dos Palmares o espaço ainda é amplo para os dois lambe-lambes que resistem. Mas o otimismo não é tanto. Como precisam mudar de lugar várias vezes por dia, porque dependem da sombra das árvores para garantir as fotos, eles estão apreensivos com a chegada dos camelôs. ?Além de tirar a visibilidade, vão ocupar toda a praça; e sem espaço, não dá para trabalhar?, diz Rosalvo Brás, há 36 anos na praça.