Cidades
Garoto surrado em escola entra em coma
MAIKEL MARQUES CARLA SERQUEIRA Repórteres Lagoa da Canoa - Uma criança de nove anos respira com a ajuda de aparelhos e corre risco de morte. O menor teria sido espancado por uma turma de ?coleguinhas? da Escola Municipal Manoel Pereira Filho, na cidade de Lagoa da Canoa, no Agreste, e continua internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em um dos leitos da Unidade de Emergência Dr. Armando Lages, em Maceió, desde o último sábado, 1º de abril. A direção da escola nega as agressões, mas a família e testemunhas confirmam a violência. A dona-de-casa Maria Lúcia Monteiro, 45, mãe da vítima, o garoto J.C.M.S, afirmou, ontem, à Gazeta, que seu filho mais novo foi espancado e ?surrado? por colegas de sala de aula na manhã da última quarta-feira, dia 29. Segundo a irmã da vítima, a doméstica Berta Monteiro, o garoto foi medicado na cidade - ?onde o atendimento não foi dos melhores? - e depois levado ao Hospital Regional de Arapiraca, de onde foi transferido para Maceió, dois dias depois. ?Ele gemia e reclamava das dores desde o dia da agressão, mas só desconfiamos da gravidade do caso quando ele foi transferido para Maceió?, conta Berta Monteiro. A Gazeta localizou o garoto H. M. S., 11 anos, uma das testemunhas da suposta agressão. ?Eles bateram quando meu amigo ia tomar água. Depois, ficaram pulando em cima da barriga dele. Só pararam quando os chamei para a briga?, conta H. Segundo a Polícia Civil de Lagoa da Canoa - que registrou a ocorrência somente ontem - três garotos, colegas de sala de aula da vítima, teriam sido os responsáveis pela agressão contra J.C.M.S. ?Jogaram-no no chão e pularam em cima dele. O pivete foi muito machucado. E também não recebeu o devido atendimento nas unidades de saúde da cidade. São três os agressores. Os pais deles serão intimados para depor e explicar o que aconteceu a partir de amanhã [hoje]?, diz o agente policial Anilton Menezes. Para a irmã da vítima, Berta Monteiro, os pais dos responsáveis precisam responder pela agressão. Ela também cobra investigação para responsabilizar a direção da escola. ?Lá, não viram nada. Isso é um absurdo. O menino chegou em casa gemendo de dor?, reclama Berta Monteiro. O diretor da escola, Hélcio Rastelli, considerou exageradas as informações acerca da ?suposta agressão? praticada contra o garoto. ?Não consegui ver muita consistência nessa história?, afirmou ele à Gazeta. Ainda de acordo com o diretor, o fato teria ocorrido na manhã de quarta-feira, dia 29. ?Só tomei conhecimento dessa história na sexta-feira (31), por meio da irmã e de uma tia da vítima. A mãe do garoto nunca veio aqui reclamar de agressão alguma?, justificou-se. ?Se houve alguma coisa, foi um pequeno incidente entre garotos de nove anos, todos da mesma turma. Um deles é primo da vítima. Eu lhe afirmo: não houve agressão alguma aqui na escola?, completou o diretor Hélcio Rastelli. Para ele, o garoto, vítima das agressões, passou mal porque ?deve ser alérgico a dipirona e por isso ficou com hematomas no corpo?. O diretor Hélcio Rastelli informou à Gazeta que repassou o caso à secretária de Educação do município. ?A mãe da vítima poderia ter vindo aqui esclarecer a questão. Houve brincadeira de criança e um certo exagero por parte dela?, insistiu em dizer o diretor da escola. ### ?Tudo não passou de uma brincadeira? Desde domingo, dia 2, Deusdete Monteiro, uma das irmãs do garoto espancado na Escola Municipal Manoel Pereira Filho, em Lagoa da Canoa, dorme na enfermaria da Unidade de Emergência Dr. Armando Lages, no Trapiche, para acompanhar a recuperação do irmão que permanece em coma. ?Tenho que ficar aqui para repassar informações a minha família?, diz ela, uma das treze irmãs do menor. Ao lado de Deusdete, a Gazeta encontrou, na parte exterior do hospital, a secretária de Educação de Lagoa da Canoa - que não quis revelar o próprio nome e disse apenas ser a mãe do prefeito da cidade [Jair Lira Soares]. A secretária acredita que tudo não passou de uma brincadeira de criança. ?Estou aguardando o médico, doutor Rodrigo, para ter mais detalhes do ocorrido. Estive mais cedo com ele e ele me disse ter identificado sintomas de dengue na criança?, informou. Deusdete contou que seu irmão, J.C.M.S., brincava de chimbra com os amigos, dentro da escola, quando sentiu adormecer as pernas. ?Ele ficou fraco e, quando caiu, vieram uns cinco em cima dele, não sei por que. Se não fosse o meu outro irmão, de 11 anos, tinham matado ele?, disse, cobrando, diante da secretária de Educação, a responsabilidade da direção da escola. ?O mesmo pode acontecer com outras crianças?, alertou. A secretária garantiu ajuda aos familiares da vítima. |CS