app-icon

Baixe o nosso app Gazeta de Alagoas de graça!

Baixar
Nº 5729
Cidades

Observat�rios revelam beleza escondida

| CARLA SERQUEIRA Repórter Na praia, um risco na areia desvenda o Riacho Salgadinho. Um amontoado de árvores, ou é praça ou é a Rua das Árvores, no Centro. Dá para ver, no terreno que assenta o bairro do Farol, surgirem as principais ladeiras da cidade.

Por | Edição do dia 09/04/2006 - Matéria atualizada em 09/04/2006 às 00h00

| CARLA SERQUEIRA Repórter Na praia, um risco na areia desvenda o Riacho Salgadinho. Um amontoado de árvores, ou é praça ou é a Rua das Árvores, no Centro. Dá para ver, no terreno que assenta o bairro do Farol, surgirem as principais ladeiras da cidade. Os carros lembram miniaturas; as pessoas, então, são quase imperceptíveis. É divertido e curioso, mas é para poucos que Maceió se mostra do alto. Para a arquiteta urbanista Regina Coeli, observar a cidade de um ponto elevado faz as pessoas mais cidadãs. “Quando um morador percebe que a sua casa é peça de um todo; que seu bairro colabora para a formação de um universo bem maior, ele se sente parte da cidade, começa a se sentir mais dono dela”, diz, ao cobrar da gestão pública municipal mais atenção para os mirantes de Maceió. “A topografia da cidade é formada por planície e planalto. Na borda das encostas foram construídos os mirantes. Mas a prefeitura esqueceu da lagoa. Da Santa Amélia e do Clima Bom, a vista é fantástica e as pessoas não têm um espaço público para observar o pôr-do-sol dali, só quem tem casa ali pode contemplar a paisagem”, explica. Regina explica que os prédios públicos como o Centro Empresarial Barão de Penedo e a sede do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), no Centro, e a Casa da Indústria, no Farol, todos com mais de 10 andares, desperdiçam o espaço de suas coberturas. “Estes locais deveriam servir como observatórios públicos. Horários especiais poderiam ser estabelecidos para visitações”, sugere a arquiteta, ao citar como exemplo o edifício Itália, em São Paulo. Construído em 1965, o prédio tem 44 andares, 150 metros de altura e se tornou um dos pontos turísticos mais visitados da cidade. ### Urbanista cobra recuperação de mirantes A falta de hábito do maceioense de admirar sua terra natal de pontos elevados interfere no preço dos imóveis negociados na capital alagoana. Esta é uma das constatações feitas pela corretora de imóveis Meire Bezerra. “Todo mundo quer apartamento com vista para o mar, mesmo que esta vista se restrinja a apenas um pedacinho de nada”, disse ela. “As pessoas não têm costume de olhar para o outro lado da cidade. A vista da lagoa é uma das mais belas que já vi”, conta ela, que é natural do Piauí. “Para vender um imóvel na Ponta Verde ou Pajuçara, por exemplo, eu levo no máximo 30 dias. Já para vender um com vista para a lagoa, levo meses e meses”. Ela acredita que se as pessoas fossem incentivadas a olhar a cidade por outro ângulo, a região das lagoas e a parte alta de Maceió, que engloba o Farol, seriam mais valorizadas. “Maceió tem belas paisagens por todos os lados. Do Farol, além do mar, também é possível ver o Centro e seus sobrados”, revela Meire, ao explicar que por causa da valorização da orla um apartamento com 60 metros quadrados na praia chega a custar o dobro de outro com 130 metros construído no Farol. José Medeiros de Aquino tem 52 anos e trabalha há 27 na Casa da Indústria, um prédio de 28 metros de altura localizado no Farol. “Assistir ao pôr-do-sol daqui de cima não tem preço”, diz ele, entre as máquinas da central de ar-condicionado e de meia dúzia de antenas instaladas no topo do edifício. “Interessante é ver o engarrafamento na Fernandes Lima. Os carros formam uma fila imensa, parecem de brinquedo”. CS ### Falta de estrutura impede turista de ver cidade do alto Em contato direto com os turistas atraídos pelo mar de Maceió, o guia Tadeu Cunha, de 31 anos, afirma que a falta de estrutura da cidade não contribui para a contemplação das paisagens. “Só temos condições de levá-los ao mirante de São Gonçalo que, infelizmente, não oferece vista da Lagoa Mundaú”, diz. “Muitos turistas, por causa do nome do Estado, me perguntam onde estão as lagoas. Nós os levamos para vê-las quando vamos ao Litoral Sul, mas não é a mesma coisa”, afirma. Tadeu diz que quando vêem Maceió do alto os turistas ficam surpresos. “Muitos deles acham que a cidade é somente planície. Não imaginam que também temos planalto, tabuleiros”, comenta, ao revelar que os city tour, passeios pelos centros urbanos da cidade, são feitos, geralmente, em uma hora e meia. “Me sinto frustrado quando percebo que o grupo quer saber mais da história da nossa cidade, mas o carro não pode ficar estacionado por muito tempo diante de um prédio antigo. As ruas são estreitas e muitas vezes tive de encurtar o discurso”. ///

Mais matérias
desta edição