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Nº 5735
Cidades

Sururu vira prato de luxo e cai no gosto de chefs de cozinha

| CARLA SERQUEIRA Repórter Entre tradição e inovação, engana-se quem pensa ser somente peixe e camarão os principais pratos consumidos durante a Semana Santa. Da Lagoa Mundaú diretamente para o imaginário de chefs de cozinha internacional ou para as mão

Por | Edição do dia 16/04/2006 - Matéria atualizada em 16/04/2006 às 00h00

| CARLA SERQUEIRA Repórter Entre tradição e inovação, engana-se quem pensa ser somente peixe e camarão os principais pratos consumidos durante a Semana Santa. Da Lagoa Mundaú diretamente para o imaginário de chefs de cozinha internacional ou para as mãos de cozinheiras populares, o sururu - molusco símbolo das Alagoas -, é, ao lado do bacalhau e do bredo, artigo indispensável na composição de boa parte das ceias nesta época do ano. Basta passear com o olhar um pouco mais atento pela beira da Lagoa Mundaú, no bairro Dique Estrada, que lá estarão centenas de famílias, mulheres, homens e crianças processando o pescado que, no começo da manhã, chega, aos milhares de quilos, em diferentes canoas. Alguns dizem que sururu é sinônimo de confusão, pelo modo “agarrado” como sobrevivem na lama. Só que na última semana, diante da comemoração das marisqueiras, a constatação é de que o pescado ganhou nome de “abundância”. Escasso em supermercados, é na beira da lagoa mesmo que o sururu é comercializado. “Aqui é fresquinho, a gente está vendo ele saindo da casca”, diz Margarida Acioly, 72 anos, consumidora fiel do molusco no período da Páscoa, enquanto escolhia os quatro quilos que pretendia levar. “Minha família é grande e comilona, toda sexta se reúne para almoçar comigo”. Margarida tem sete filhos e 12 netos. “Na minha mesa não pode faltar sururu. Gosto dele de todo jeito, no coco, como fritada, na própria casca”, diz ela, que passou a sexta-feira da Paixão numa chácara em Atalaia. ### Molusco é fonte de sustento de famílias O sururu, além de inspirar chefs de cozinha internacional e cozinheiras tradicionais do Pontal da Barra, sustenta centenas de famílias, moradoras da favela Sururu de Capote, no Dique Estrada. A reclamação corriqueira é a falta de incentivo para a produção do molusco que virou, há décadas, símbolo de Alagoas. A higiene é pouca no lugar onde as marisqueiras limpam o sururu. Os riscos de acidentes cercam garotos, mulheres e homens, dedicados ao ofício de ferver as porções para a retirada da casca. O processo é tão interessante que poderia ser, inclusive, atrativo turístico em Maceió, não fossem as moscas e o mau cheiro. Ex-residente do Jacintinho, Cristina Santos, 38 anos, anuncia que este ano houve fartura na pesca do sururu. “O problema é que se sobrar, não temos onde armazenar. Boa parte pode acabar no lixo”, diz ela que, em sua barraquinha na beira da pista, emprega três pessoas: “Tem uma marisqueira, o peneirador e o foguista”, diz, definindo as funções de sua equipe. Gilberto da Silva, 49 anos, morador da mesma favela onde reside Cristina, diz que na última semana todos os pescadores colocaram as canoas mais cedo na lagoa. “É a hora de vender mais”, justifica. “Quem sai às 4h, agora tá saindo uma da madrugada”. A intenção, segundo ele, é trazer a maior quantidade que puder. “Não falta comprador, falta só incentivo do governo”, afirma. CS ///

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