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Prefeitos oferecem regalias para atrair m�dico em Alagoas

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MAIKEL MARQUES Repórter Arapiraca - Municípios do agreste, sertão e zona da mata de Alagoas que prestam assistência médica à população carente por meio do Programa Saúde da Família (PSF) têm problemas para manter a qualidade do serviço porque encontram dificuldades de contratar profissionais médicos, que preferem ficar nas cidades mais próximas da capital, mesmo com regalias como moradia, secretária particular, alimentação e combustível. ?Quanto mais distante o município, mais difícil é encontrar médico disposto a cumprir jornada de 40 horas semanais em postos de saúde da zona rural?, explica a biomédica Clayriane Cordeiro, secretária de Saúde de Delmiro Gouveia, município que faz divisa com Bahia, Sergipe e Pernambuco, no Sertão. ?Quando conseguimos profissional, enfrentamos outra dificuldade: a concorrência de outras prefeituras que oferecem salário um pouco melhor?, diz. O município de Delmiro Gouveia tem seis equipes do Programa de Saúde da Família e paga salário de R$ 4 mil líquidos ao profissional de medicina. Uma das equipes está desfalcada de médico há mais de um mês. O profissional que atuava num posto de saúde da zona urbana não resistiu à oferta de salário um pouco maior, além de outras vantagens, e migrou para o PSF de outro município da região, onde não há fiscalização da jornada de trabalho de oito horas diárias. ### Profissionais descumprem regras do PSF As exigências de médicos de não se submeterem à jornada de trabalho de oito horas diárias comprometem o atendimento à população carente, que reclama da prefeitura pela ausência do profissional, que não está no posto de saúde todos os dias da semana, como determina o Ministério da Saúde (MS). Segundo o MS, o profissional deve, inclusive, residir no município onde atua. Segundo a secretária de Saúde de Delmiro Gouveia, Clayriane Cordeiro, outra dificuldade é fazer com que profissionais cumpram visitas domiciliares, o que também é regra básica do programa. A Gazeta apurou que há médicos que ?se recusam? a visitar pacientes, o que só acontece em situações extremas. ?Outra dificuldade é fazer com que médicos profiram palestras sobre cuidados básicos com a saúde?, diz a secretária. ### Médicos fogem de carga horária e ponto Arapiraca - Em Arapiraca, ao contrário de outras cidades - onde não se exige carga horária de trabalho de oito horas diárias - o PSF mantém um funcionário para acompanhar o livro de ponto dos profissionais. ?Há flexibilidade quando necessário, mas precisamos primar pela qualidade do serviço de assistência médica à população carente?, explica a secretária Noélia Barboza. Diante de salários pouco atrativos para os padrões da categoria, observa-se verdadeiro ?leilão? de médicos entre pequenas cidades da região Agreste. Segundo apurou a Gazeta, há casos em que médicos deixaram o emprego em Arapiraca para trabalhar menos em cidades próximas onde a oferta salarial supera em apenas R$ 200 o que se paga na segunda maior cidade do Agreste. ?É muito grande a dificuldade para contratarmos profissionais que se adaptem às exigências do programa?, diz Noélia Barbosa, segundo a qual a Secretaria de Saúde de Arapiraca tenta há seis meses contratar sete médicos para preencher equipes desfalcadas. Como atrativo aos novos profissionais, o município oferece ?outras compensações?, como cursos de especialização vinculados a universidades públicas. MM ### ?Médico do PSF precisa gostar de gente pobre? A médica Luciana Fonseca diz que é no posto de saúde que uma simples conversa com o paciente previne doenças e serve como base para detectar quais exames são necessários para constatar problemas mais graves. ?A partir da conversa com o paciente é que solicitamos os exames realmente necessários?, diz ela, segundo a qual o médico do PSF precisa gostar de trabalhar com gente simples. MM ### Sindicato admite que valor salarial é maior problema | FELIPE FARIAS Repórter A presidente do conselho que reúne os secretários municipais de Saúde, Oneide Regina Camilo dos Santos, confirma a carência de médicos, ?sobretudo para os municípios mais distantes? e diz que no Sertão o problema é mais crítico. ?Não se tem uma estatística fechada, município por município. Mas é possível dizer que a maioria enfrenta esse problema há bastante tempo; essa carência vem desde que o programa, aliás a estratégia, como é a denominação agora, foi instituída, em 1994?, explica a atual titular do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Estado de Alagoas. ### ?Dificuldade não é privilégio de Alagoas? A presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde (Cosems), Oneide Camilo, que representa os gestores municipais que lidam diretamente com a questão dos médicos do PSF, disse que a carência é o maior obstáculo para implantação da estratégia em diversos municípios. ?Muitos querem mantê-la, mas se deparam com a falta de médicos. Eles estão concentrados nas capitais e em regiões metropolitanas. Esse é um problema que se repete em todo o País, não é privilégio de Alagoas. E na Região Norte é ainda mais grave?, diz Oneide, que é médica e secretária de Saúde de Messias. Sua situação atesta o problema em outras regiões do Estado. As cinco equipes que atendem pelo PSF cobrem 100% das famílias carentes do município; mais até do que exige o Ministério da Saúde - 70%; há uma equipe para cada grupo de 4 mil habitantes. FF ### Salários são fictícios, afirma sindicalista Na avaliação do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde (Cosems) o custo de deslocamento e de moradia não compensaria, por exemplo, a instalação da família do profissional. Daí outro motivo de desistência. Segundo a presidente, Oneide Camilo, o problema, que começou localizado, tomou proporções mais extensas à medida que mais municípios foram implantando seus PSFs. Hoje, todos os 102 de Alagoas implantaram a estratégia - e os mais distantes enfrentam a carência de médicos. Salários fictícios A presidente do Sindicato dos Médicos, Edilma Barbosa, acrescenta outro fator que agrava a situação. ?Para se chegar ao salário total, mesmo os mais altos, é pago um abono, a gratificação pela estratégia de saúde da família - mas que não deixa de ser um abono. Na carteira [de trabalho], o salário base é bem mais baixo: em alguns casos chega a apenas R$ 450,00?. Na prática, segundo ela, esses salários mais altos são fictícios. O problema é que benefícios como 13º, férias e aposentadoria são calculados sobre o salário base - e não sobre o todo. ?Ao contrário de descontos, como da Previdência, que é sobre o todo?. FF ///

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