app-icon

Baixe o nosso app Gazeta de Alagoas de graça!

Baixar
Nº 5731
Cidades

MP investiga destino de lixo hospitalar

Maikel Marques Repórter Arapiraca - O promotor Valter Omena Acioly revelou que vai publicar, no início desta semana, portaria oficializando a investigação com objetivo de descobrir a origem do lixo hospitalar e farmacêutico depositado no lixão

Por | Edição do dia 23/04/2006 - Matéria atualizada em 23/04/2006 às 00h00

Maikel Marques Repórter Arapiraca - O promotor Valter Omena Acioly revelou que vai publicar, no início desta semana, portaria oficializando a investigação com objetivo de descobrir a origem do lixo hospitalar e farmacêutico depositado no lixão de Arapiraca como se fosse lixo domiciliar. As agulhas e seringas, encontradas com facilidade no local, põem em risco a saúde das centenas de catadores de entulhos que trabalham no local. “Eu já me furei com agulha suja”, disse um catador. ### PRT alerta para riscos à saúde e ao ambiente O documento da Procuradoria Regional do Trabalho, segundo a procuradora Virgínia Ferreira, aponta irregularidades relativas ao meio ambiente. “O documento também expõe o risco imposto aos catadores de lixo, que se deparam com agulhas e seringas descartáveis. Esse material não deveria estar onde está”, critica o promotor Valter Omena. O promotor entregou à Gazeta uma cópia da ata da reunião realizada no dia 11 de janeiro deste ano, na sede da Subdelegacia do Trabalho em Arapiraca, quando se discutiram questões relativas ao Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti). Foi durante o encontro que surgiu a denúncia de que o lixão da cidade representa risco para a população e para o meio ambiente. “Há hospital nas proximidades que deposita lixo hospitalar sem cuidados prévios”, diz o documento. MM ### Administração do lixão culpa farmácias A Gazeta conversou com os responsáveis pela administração do Lixão de Arapiraca. Segundo o engenheiro civil Genaldo Barbosa e o técnico José Roberto Veras, o “Tora”, o problema estaria nas próprias farmácias, que não separam o lixo comum de seringas e agulhas. “Proprietários da maioria das farmácias não separaram seringas e agulhas do lixo tradicional. Durante a coleta, o material nos chega como se fosse residencial”, confirma José Roberto Veras, segundo o qual o mesmo não ocorre com o lixo dos hospitais e postos de saúde do município. Os hospitais e postos de saúde de Arapiraca produzem, segundo a prefeitura, quase 500 quilos de lixo por dia. Os “resíduos de serviços de saúde” são coletados por um veículo do tipo Fiorino, com funcionário trajado com equipamentos de segurança para evitar contaminação. MM ### Crianças ajudam os pais a catar lixo Para o promotor Valter Omena, que visitou o lixão na tarde da última quarta-feira, o lixo hospitalar deveria ser enterrado numa vala e não queimado a céu aberto. “Essa queima gera poluição para o meio ambiente”, adverte o promotor, que solicitará perícia do Instituto do Meio Ambiente (IMA). A coleta diária dos resíduos hospitalares não evita o despejo do lixo [seringas e agulhas] proveniente das farmácias da cidade. “Isso porque eles [os empresários] depositam o lixo como se fosse residencial”, diz José Roberto Veras, administrador do Lixão. Para ele, isso ocorre porque empresários descumprem uma portaria segundo a qual deveriam depositar estes resíduos em local específico. “Sem o cumprimento da portaria, é impossível não termos seringa em meio ao lixo residencial”, adverte. ### Promotor cobra política pública de município Valter Omena diz que é preciso investir em políticas para não permitir entrada de crianças no lixão. “Município precisa resolver essa questão com rapidez” Para o promotor de Justiça Valter Omena, as crianças não deveriam ter permissão para cruzar o portão de acesso ao local da separação de lixo. “Cabe ao município promover ações no sentido de evitar a presença de menores dentro da sujeira”, critica o promotor. Questionado pela Gazeta acerca da presença de menores no lixão, o administrador José Roberto Veras afirma que os vigilantes que cuidam do local chegam a sofrer ameaças de alguns pais que insistem em entrar na área acompanhados dos filhos. MM ///

Mais matérias
desta edição