Cidades
Meia passagem � fator de evas�o escolar
| Fátima Almeida Repórter Os números da evasão escolar, fenômeno que se registra com mais intensidade nas comunidades de baixa renda, geralmente explicados pela situação social de alunos carentes ou por deficiências no projeto pedagógico da escola, podem ter um componente a mais entre os fatores que empurram os índices para cima: diretores de escolas acreditam que muitos alunos se matriculam, apenas, com interesse na aquisição da carteira que dá direito à meia passagem nos transportes coletivos. Uma vez adquirido esse documento, muitos abandonam a escola ou passam a ter uma freqüência mínima, apenas para manter o benefício. A hipótese não está entre as queixas de instituições como a Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), e a Transpal, a quem cabe a responsabilidade de monitorar e fiscalizar o uso do benefício, mas até mesmo a Secretaria Executiva da Educação reconhece que essa situação acontece de fato, e já incluiu a matrícula por interesse no benefício do transporte como um dos fatores que sustentam os números da evasão. ### Secretaria defende rigor na fiscalização Os motivos não diferem muito dos percebidos na maioria das escolas localizadas na periferia: insegurança; envolvimento de crianças e adolescentes em jornadas de trabalho para ajudar a família; situações de extrema pobreza. Apesar da vinculação de benefícios do governo como Bolsa-Família e Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) à freqüência escolar, muitos acabam, mesmo, trocando a escola pelas ruas e sinais de trânsito. A Secretaria Executiva da Educação (SEE) já detectou esse indicativo, embora não tenha, ainda, números medindo essa vinculação. Mas o benefício da meia passagem já entra na relação de fatores que projetam os números da evasão escolar, junto com o desestímulo de alunos fora de faixa; as questões sociais e até a proposta pedagógica da escola. ///