Cidades
Macei� n�o entrou na era da reciclagem
CARLA SERQUEIRA FERNANDO VINÍCIUS Repórteres Véspera do Dia Mundial do Meio Ambiente, uma constatação desanimadora: Maceió não entrou na era da reciclagem. Não há indústrias na cidade e são apenas três as cooperativas que selecionam o lixo no município. Uma delas, o pioneiro Projeto Pitanguinha, foi obrigada a demitir, no último mês, doze dos seus 22 funcionários. No resto do Estado, as iniciativas são isoladas. Um exemplo está no município de Feliz Deserto, litoral sul de Alagoas. Lá, mulheres, antes desempregadas, transformam sacos de cimento em verdadeiras obras de arte. São bolsas, cartões e cadernos decorativos que enchem os olhos de quem assiste à produção dos exemplares. ### Atravessadores crescem e cooperativas perdem lucro Evaldo Machado tem 61 anos. Há mais de vinte trabalha no ramo da reciclagem de lixo, especificamente de papel branco e plástico. Ele veio do Recife, onde mantém outro galpão funcionando. ?Vi que o mercado em Maceió era bom e há sete anos me mudei para cá?, disse. Concorrendo com a sua empresa já são, segundo ele, mais de trinta atravessadores em Maceió. São pessoas que compram e revendem material reciclável para indústrias de outros estados. ?Revendo para Campina Grande e João Pessoa, na Paraíba, e para Recife, em Pernambuco?, revelou. ### Projeto Pitanguinha luta para não fechar | CARLA SERQUEIRA Repórter Para a coordenadora do Projeto Pitanguinha, Hélia Coelho, não existe sucesso em coleta seletiva de lixo urbano sem apoio institucional. ?Tudo depende disso?, acredita. Há seis anos no comando da cooperativa mais antiga de Maceió, Hélia não esconde o temor de ser obrigada a fechar as portas. ?Tivemos que demitir 12 funcionários, foi uma tristeza?, lembra, ao revelar que o motivo foi a queda no preço do material reciclável. ?Até dezembro do ano passado, o quilo do papel branco, por exemplo, custava R$ 0,20, hoje não vendemos por mais de R$ 0,15. O papelão era R$ 0,18, hoje está por R$ 0,07. A garrafa PET baixou de R$ 1,20 para R$ 0,25. A diferença é muito grande. O que apuramos mal dá para pagar as despesas fixas?. ### Oficina transforma lixo em obras de arte | FERNANDO VINÍCIUS Repórter Feliz Deserto - Papel de saco de cimento, bagaço de cana-de-açúcar e um pouco de cola. A mistura dos ingredientes, adicionados à criatividade impulsionada por um trabalho de responsabilidade social, criou novas perspectivas para 26 famílias do povoado Pontes, pequena comunidade localizada a quinze quilômetros de Feliz Deserto, município situado no litoral sul alagoano. Os trabalhos na Oficina de Papel Artesanal (OPA) geraram oportunidades de emprego e renda para mulheres que, em sua maioria, tinham como única ocupação as tarefas domésticas. ///