Cidades
F�rmula pronta n�o combate viol�ncia
BLEINE OLIVEIRA Repórter A decisão do Conselho Estadual de Segurança e Justiça de instituir a partir desta semana Lei Seca no Santos Dumont, bairro da periferia de Maceió, com o intuito de combater o índice de criminalidade no local acendeu uma discussão entre especialistas e a sociedade civil. A violência registrada no bairro não é uma situação isolada. Ela se estende à sociedade alagoana, independentemente de classe social. Para especialistas, o problema é complexo e não há ninguém com uma fórmula pronta para solucioná-lo. Compreender a complexidade desse drama é o primeiro de uma série de passos que precisam ser dados no caminho para se chegar à paz e à segurança que todos anseiam, segundo a socióloga Ruth Vasconcelas, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que diz claramente que não basta encher as ruas de policiais ou construir novas prisões. ### É preciso tempo e disposição para chegar à paz desejada Na sua análise, Ruth Vasconcelos lembra que o cenário de violência enfrentado hoje foi construído há séculos, por isso exigirá tempo e disposição para ser desmontado. É preciso promover não somente mudanças estruturais, mas também de mentalidade e de cultura política. ?Um dos erros que a Esquerda cometeu foi ignorar por muito tempo a questão da família e da segurança pública. Achávamos que discutir questões de educação moral e cívica não era uma agenda revolucionária?, critica a socióloga, fazendo uma abordagem histórica da origem da violência que assombra a sociedade de canto a canto do País. ### Mau exemplo de autoridades ajuda a aumentar violência Há uma crise de autoridade na família, agravada pelo desgaste das chamadas autoridades constituídas. São políticos, dirigentes públicos e membros do Judiciário freqüentemente envolvidos em corrupção e no descumprimento da lei. O comportamento deles também tem reflexo na desestruturação e falta de rumo da juventude. Psicanalista e educadora, a professora Lourdes Tenório acredita que o contexto público-político deve ser considerado ao se fazer qualquer análise sobre as causas da violência e ao se discutir saída para o inferno urbano atual. ### Problema é comum a ricos e pobres Seis anos depois de descobrir que o filho usava drogas e já estava envolvido em violência, Hélio, nome fictício, admite que excedeu em liberdade e bens materiais. Reconhece também que faltou ao filho a autoridade paterna para dar-lhe os limites necessários e, provavelmente, capazes de evitar seu envolvimento com maconha, crack e cocaína. O drama de Hélio, um médico conceituado que prefere não se identificar para não expor o filho, que está em recuperação, é comum a milhares de famílias de classes média e alta de Alagoas. ///