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Biblioteca P�blica agoniza sem recursos

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Janayna Ávila Repórter Fazer pesquisas ou dedicar tempo à leitura na Biblioteca Pública Estadual, que possui o maior acervo de livros e jornais de Alagoas, deveria ser um agradável e necessário ato de cidadania, não fosse o fato de que a instituição - que no último dia 26 completou 141 anos de existência - não cumpre a missão a que se destina, em função dos poucos recursos que recebe. Pertencente ao quadro de órgãos da Secretaria Executiva de Cultura (Secult), a entidade não tem dotação orçamentária própria e muito menos verba mensal fixa definida. ### Falta de estrutura prejudica os usuários A bibliotecária Wilma Nóbrega, que dirigiu a instituição por 11 anos e hoje coordena o Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas, afirma que sempre buscou realizar o que era possível, firmando parcerias e contando com a colaboração de voluntários, o que nem sempre era fácil. ### Poucos projetos para estimular a leitura Se um país se faz com homens e livros, como declarou o escritor paulista Monteiro Lobato (1882-1948), que é apontado como o primeiro grande empresário do setor livreiro do Brasil, Alagoas está longe de contribuir para edificar essa ?construção?. Não bastasse ter índices de analfabetismo alarmantes - segundo informações fornecidas pelo próprio governo estadual, 45% dos alagoanos não sabem ler e nem escrever -, a Biblioteca Pública do Estado não desenvolve, como deveria, projetos de estímulo à leitura, a exemplo de encontros com escritores e oficinas de leitura e escrita. ### Pernambuco e Bahia em outra realidade Há 12 anos, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou no mundo inteiro um manifesto sobre a importância e a necessidade das bibliotecas públicas, considerando que elas são a porta de acesso local ao conhecimento. Mas embora o governo estadual divulgue em seu site a participação no programa Selo Unicef 2006, não é preciso ir muito longe para comprovar que Alagoas vive um momento de retrocesso na área da cultura e da educação. ### Sem previsão de ?socorro? para 2006 Em Alagoas, Estado cuja renda da maior parte da população (66%) é de até dois salários mínimos e 20% desse contingente vive sem renda, o acesso gratuito aos livros é a única forma de ?chegar? ao conhecimento. A despeito dos minguados recursos disponíveis na pasta da Cultura, curiosamente a Secult custeia a manutenção de dois memoriais da cidade: o Memorial Teotônio Vilela e o Memorial da República, que geraram polêmica justamente por causa dos altos custos das obras e da necessidade de ambos, especialmente se forem comparados à função de uma biblioteca pública. ///

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