Cidades
Falta de equipamentos mata pescadores
SEVERINO CARVALHO Repórter Maragogi - Terça-feira, 11 de julho. A Capitania dos Portos de Alagoas retransmite às colônias de pescadores do Estado a previsão do tempo, recebida pela Diretoria de Hidrografia da Marinha. Na mensagem, o aviso de que o mar estaria agitado. A tripulação do Barco Golfinho II não teria levado em consideração as informações supostamente repassadas pela Colônia Z-15. A embarcação parte de Maragogi para uma pescaria de três dias em alto-mar, no litoral de São Miguel dos Milagres. Manhã de quinta-feira, 13 de julho. Sem usar coletes salva-vidas, os pescadores começam a puxar a rede instalada para capturar lagosta. Nesse momento, uma onda repentina atinge a embarcação, que vai a pique. Resultado da trágica pescaria: três mortos. ### Coletes salvam três pescadores este ano Maragogi - No dia 30 de abril, um buraco no casco de um lancha da classe Passeio e Recreação levou a embarcação a pique no litoral de Maragogi. A bordo estavam o comerciante pernambucano Paulo Estevão Cunha Alves, 51 anos, e os pescadores Jenaldo Constatino da Silva, 60, e João José da Silva, 45. Utilizando coletes salva-vidas, eles permaneceram em alto-mar por mais de 24 horas, a cerca de 30 km da costa, até serem resgatados, no litoral de Tamandaré (PE), pelo barco pesqueiro de nome providencial: ?só Deus?. ### Sobrevivente diz que não recebeu previsão de tempo Maragogi - O único sobrevivente do naufrágio do barco pesqueiro Golfinho II, ocorrido na quinta-feira (13), no litoral norte de Alagoas, Pulquério de Araújo Dantas, 28 anos, garantiu à Gazeta que não recebeu da Colônia Z-15 em Maragogi qualquer informação a respeito do mau tempo antes de partir, na terça-feira (11), para a pescaria. Segundo ele, o mar estava ?normal? e permaneceu assim até quinta-feira, dia do naufrágio. ### Naufrágios mudam hábitos de pescador Maragogi e São Miguel dos Milagres - Naufrágios com vítimas fatais ou não causam comoção e costumam mudar hábitos, sobretudo entre os pescadores. Foi assim com o comerciante pernambucano Paulo Estevão Cunha Alves, 51 anos, que após sobreviver a um desses acidentes prometeu jamais voltar a praticar a pesca esportiva, um hobby que praticava quando viajava de Palmares a Maragogi, onde costuma veranear. ### Navios cargueiros levam perigo aos barcos de pesca Maragogi - O Projeto Recifes Costeiros (PRC), organização não-governamental responsável pelo plano de manejo da Área de Proteção (APA) Costa dos Corais, monitorou o tráfego de navios no litoral norte de Alagoas. Durante três meses, ficou constatado que mais de 60 cargueiros cortam essa faixa de mar, localizada entre os portos de Suape, Recife e de Maceió, o que explica o movimento intenso. Em alto-mar, barcos de pesca dividem o mesmo espaço com grandes embarcações. Por isso, cargueiros já atropelaram inúmeros barcos no litoral norte alagoano, provocando naufrágios. O último deles ocorreu em 2003, no litoral de São Miguel dos Milagres. ///