Cidades
Grupo tenta vencer barreiras urbanas
| Fátima Almeida Repórter Considerada ponto-chave para a qualidade de vida nas cidades, a questão da moblidade começa a ser tratada como prioridade na organização dos ambientes urbanos no Brasil, não só abordando a questão da acessibilidade individual e coletiva, mas também abrangendo outros fatores diversos do convívio entre o indivíduo, os objetos e o seu meio, na sociedade. A discussão se faz urgente, porque ao longo de séculos a falta de planejamento urbano fez estragos, alguns quase irreversíveis, no processo de crescimento das cidades brasileiras, contribuindo para circunstâncias insustentáveis, do ponto de vista ambiental, econômico e social. A favelização da periferia, com a ocupação das grotas e encostas é o exemplo mais gritante dessa situação. ### Periferia sofre mais com falta de mobilidade As situações de imobilidade envolvem muito mais do que a falta de transportes, dificuldades de acesso, obstáculos físicos e sociais, mas também as questões de moradia, geração de renda, acesso aos serviços públicos e inclusão social de maneira generalizada. Difícil para quem, desde criança, acostumou-se a descer e subir o morro por intermináveis escadarias de barro ou de concreto, no percurso de casa para a escola, para o posto de saúde, ou para o lazer, muitas vezes curtido às margens do riacho do Reginaldo. ### Cidades priorizam circulação de veículos No conceito do Ministério das Cidades, mobilidade é um atributo associado à cidade, relacionado à facilidade de deslocamento de pessoas e bens na área urbana. Isso envolve pedestres, ciclistas, usuários de transportes coletivos ou motoristas, e vai muito mais além das questões de deslocamento. Traduz relações dos indivíduos com o espaço, objetos e outras pessoas. Portanto, a mobilidade é afetada por fatores como renda, idade, sexo, capacidade de locomoção e ocupação do solo urbano, variáveis que implicam na redução ou aumento da acessibilidade. ### Morador vira ?refém? da favelização As pessoas idosas ou com deficiência são as principais vítimas da falta de planejamento urbano. Em função da idade, estado de saúde, dificuldade de locomoção, elas têm necessidade especiais em seus deslocamentos e são consideradas ?pessoas com restrição de mobilidade?. Imagine o que é se locomver numa cadeira de rodas, sobre o piso da Praça Deodoro, ou tentar transpor os obstáculos nas calçadas desniveladas da Rua Íris Alagoense, no Farol, sendo uma pessoa idosa, ou cega, ou deficiente física. ### Deslocamentos exigem segurança Um sistema de mobilidade ideal tem, necessariamente, que dá condições aos cidadãos e bens de se deslocarem de forma segura e eficiente, garantindo o acesso físico às atividades e serviços, diz um documento do curso Gestão Integrada da Moblidade Urbana, promovido pelo Ministério das Cidades, em março deste ano. ///