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Droga da vez faz estragos em Macei�

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Crack toma conta da periferia, chega aos bairros nobres e preocupa autoridades por contribuir para a escalada da violência. O problema é mais grave do que se possa imaginar. As constantes apreensões, a preocupação das autoridades de segurança pública e a onda de violência que tomou conta de Maceió não deixam dúvida: o crack, uma mistura de pasta de cocaína não refinada e bicarbonato de sódio, instalou-se definitivamente na periferia da cidade e começa a fazer vítimas. Um estudo da Delegacia de Repressão às Drogas (DRD), realizado no primeiro semestre deste ano, mostra que o tráfico de crack cresceu consideravelmente na cidade. As investigações da DRD constataram haver policiais civis e militares viciados na droga cinco vezes mais potente que a cocaína. No único centro de tratamento de dependentes químicos de Alagoas, o grande número de casos de jovens viciados em crack é uma preocupação. A Gazeta foi a campo saber como a questão está sendo tratada. ### | LELO MACENA Repórter O trabalho do grupo de inteligência da Delegacia de Repressão às Drogas (DRD) foi realizado no primeiro semestre desse ano. De janeiro a julho, foram ouvidas mais de 200 pessoas, entre usuários de maconha, cocaína, crack e outras drogas, apenas em Maceió. Os policiais também se apoiaram em depoimentos de usuários detidos, assim como traficantes presos pela DRD. ?Infelizmente, essa é a nossa triste realidade. Como se não bastasse a maconha e a cocaína, o crack chegou com toda força na nossa periferia. ### Mortal, crack vicia mais rápido e causa maior dependência O crescimento do consumo de crack e o aumento dos casos de dependência da droga estão se transformando na principal preocupação do Centro de Estudos e Atenção ao Alcoolismo e Outras Dependências (CEAAD), do Hospital Portugal Ramalho, o único centro de recuperação de dependentes químicos em Alagoas. ?Quando nós o inauguramos, em 1992, só recebíamos casos de dependentes de álcool. Depois começou a surgir a combinação álcool com outras drogas. Só que de um ano para cá, o número de usuários de crack aumentou de forma assustadora?, diz a psicóloga Fátima Leão, coordenadora do Centro. Segundo ela, atualmente, de trinta dependentes que procuram ajuda no CEAAD, um terço é viciado em crack. O restante se divide entre álcool, maconha, cocaína e outras drogas. ### Centro especializado ainda no papel Depois de uma demora de quase dois anos, Maceió está prestes a inaugurar o primeiro Centro de Atenção Psicossocial (CAPSad) para dependentes de álcool e outras drogas, que deve atender à população infanto-juvenil, de 7 a 19 anos, da capital. A Secretaria Municipal de Saúde corre contra o tempo, pois se até o dia 8 de setembro o Caps para drogaditos não estiver pronto, a verba destinada será devolvida para a Fundação Nacional de Saúde (Funasa). ### Vício é imediato e custa mais que ouro Dos trinta dependentes químicos que estão em tratamento no Centro de Estudos e Atenção ao Alcoolismo e outras Dependências (CEAAD), cerca de oito têm problemas sérios devido ao uso do crack. A Gazeta conversou com dois deles, que pediram para não ser identificados. Os depoimentos de V.L.S., 21, e A.A.N, 28, dão a dimensão de um grave problema que as autoridades responsáveis precisam buscar solução com urgência. ?Em todo canto, aqui dentro de Maceió, você encontra crack. Eu comecei a fumar por curiosidade. Achava que se apenas provasse, não ficaria viciado. Mas assim que terminei de fumar a primeira pedra, já queria mais. Você não consegue mais pensar em outra coisa?, começa contando V.L.S., que conheceu a droga no bairro do Tabuleiro, segundo ele, o local de maior tráfico de crack dentro de Maceió. ### No submundo das drogas não existe a palavra ?fiado? Altamente lucrativo, o comércio de crack é a mina de ouro dos traficantes. V.L.S. sabe muito bem disso. Ele conviveu desde criança com um dos maiores traficantes do Tabuleiro do Martins. ?Nós crescemos praticamente juntos. Não vou falar o nome dele, não precisa, mas acompanhei de perto toda a história?. Segundo V.L.S., o traficante, que antes vendia maconha, em pouco tempo de tráfico de crack comprou carro, moto e juntou quantia considerável em dinheiro. ///

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