Cidades
Projeto de irriga��o � obra inacabada
FERNANDO VINICIUS Repórter Penedo ? Mais de trezentas famílias de pequenos agricultores aguardam a conclusão das obras de infra-estrutura do Projeto Marituba. Para muitos, a espera já ultrapassa 27 anos, período marcado por interrupções dos investimentos e promessas não-cumpridas. Idealizado para beneficiar antigos moradores e famílias que exploram terras da União graças a um contrato de cessão gratuita de uso, o Projeto Marituba ainda é uma obra inacabada apesar de já ter recebido R$ 80 milhões do governo federal desde o seu lançamento. O destino dos 314 irrigantes cadastrados no perímetro caminha agora para o encontro com a iniciativa privada, conforme proposta apresentada aos agricultores por técnicos da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). ### Agricultores investem por conta própria Penedo ? Cansados de esperar, pequenos agricultores instalados no perímetro que ocupa áreas periféricas da Área de Proteção Ambiental (APA) da Várzea do Marituba ? fora dos limites da APA, segundo os técnicos da Codevasf ? confessam que já plantaram coqueiro, bananeira, mangueira e outras espécies que produzem frutos regularmente. Além disso, casas de taipa ou de palha foram derrubadas para dar lugar a edificações de alvenaria, beneficiamentos que não poderão ser indenizados, de acordo com o documento renovado a cada dois anos. ### Famílias resistem às mudanças Penedo ? Nascido e criado às margens do Rio São Francisco, Juvenal Alves não quer nem ouvir falar em plantio de cana-de-açúcar e discorda da proposta de redução do tamanho do lote, a ser unificado em 5 hectares. A intenção do governo federal em distribuir igualitariamente a área onde estão 314 irrigantes não é vista com bom olhos por Juvenal. ### Definição deve acontecer em setembro Penedo ? Apresentados ao plano que promete fazer do Projeto Marituba um empreendimento rentável para irrigantes e iniciativa privada, os pequenos agricultores devem se posicionar oficialmente sobre a proposta, durante reunião prevista para acontecer em meados de setembro, segundo os técnicos da Codevasf. Ainda sem data definida, o encontro será a oportunidade para que os representantes das comunidades apresentem as razões para aceitar ou rejeitar o plano de agronegócio integrado. A ONG Central das Organizações de Agricultura Familiar do Baixo São Francisco poderia contribuir para esclarecer as dúvidas dos pequenos agricultores, uma das metas da entidade sediada em Penedo. ///