Cidades
Pistolagem e pol�tica, uma marca em AL
Valmir Calheiros Repórter Caso sejam comprovados desentendimentos de campanha como causa do assassinato do prefeito de Roteiro, Edvaldo dos Santos Ribeiro, e de mais dois assessores, no dia 11 último, o pequeno e litorâneo município da parte Sul alagoana entra na lista dos lugares marcados pelo ?cangaceirismo político? ? uma ameaça permanente e mais que secular no Nordeste. São incontáveis os episódios sangrentos, resultantes desse fenômeno nos anos anteriores à criação da Justiça Eleitoral no Brasil ? o que viria a ocorrer em fevereiro de 1932, por decreto do presidente Getúlio Vargas, logo após o movimento civil e militar, que tirou Washington Luiz da Presidência da República. Naquele contexto, não demorou muito e o País estaria sob a ditadura do chamado Estado Novo, de 1937 a 1945. ### Muniz Falcão é tirado do poder à bala Como informou a revista O Cruzeiro, do Rio de Janeiro, com texto e fotos de Luciano Carneiro, único jornalista a documentar o trágico acontecimento, morreram Eustáquio Malta, aos 50 anos, dois de seus filhos (João Ubaldo, 18 anos, e Maria Sônia, 16 anos) e Napoleão Henrique de Souza, empregado da família. Outras 11 pessoas saíram feridas, inclusive o senador Ismar de Góes Monteiro, por uma rajada de metralhadora. Ismar era um dos irmãos do governador Silvestre Péricles ? com o qual estava rompido, bem como do general Pedro Aurélio, ex-ministro da Guerra na Era Vargas e depois também senador. Outras pessoas estavam com Eustáquio Malta em casa, na ocasião do massacre, além dos dois filhos e do empregado sumariamente mortos, e somente sobreviveram porque não foram vistos pelos pistoleiros: a esposa, Eunice (faleceria em 1994), e os outros três filhos do casal ? Urbano, Suely Selme e Pedro Paulo, que tinham, respectivamente, nove anos, seis e um ano. ### Para o TRE, democracia não vive bom momento O presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Alagoas, desembargador José Fernando Lima Souza, considera essa ocasião de presidir as eleições exatamente no 60º ano da constitucionalização da Justiça Eleitoral, ?como o momento maior? da sua passagem pela corte eleitoral alagoana. Também esta é a primeira oportunidade em que preside uma eleição geral no atual cargo. Porém, lamenta que uma grande reforma política não tenha sido feita até agora. ///