Cidades
Alagoas desconhece causas de mortes
Lelo Macena Repórter A grande quantidade de mortes por causa mal definida no Estado vem preocupando o Ministério da Saúde (MS). Em 2005, dos 15,4 mil óbitos registrados no Estado, 3,2 mil mortes, mais de 20% não tiveram seus verdadeiros motivos identificados. A situação em Alagoas é uma das piores do Norte e Nordeste do País. Isso inviabiliza a implementação de políticas de saúde, ações de controle de epidemias e a conseqüente redução das causas evitáveis de óbito. ### Números deste ano devem ultrapassar índices de 2005 A consultora do Ministério da Saúde, Cecília Guimarães, trabalha desde julho no Projeto de Redução de Óbitos com Causas Mal Definidas. Segundo ela, o trabalho está apenas começando. ?Já visitamos os 102 municípios alagoanos e estamos trabalhando em conjunto com todas as Secretarias de Saúde dessas cidades?, diz. Segundo ela, nessa primeira etapa dos trabalhos reuniões estão sendo realizadas com os coordenadores de epidemiologia e os chefes do Programa de Saúde da Família de cada cidade. ### Burocracia emperra serviço que poderia esclarecer óbitos Em fase de implantação há mais de três anos, o Serviço de Verificação de Óbitos de Alagoas (SVO), órgão ligado à Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), ainda não saiu do papel. Mesmo tendo seu projeto aprovado pelo Ministério da Saúde, o serviço que poderia reduzir consideravelmente as mortes clínicas que não têm suas causas definidas não conseguiu resolver os problemas burocráticos que impedem a liberação da verba no valor de R$ 1,4 milhão, que será usada para a compra de equipamentos sem os quais o órgão não tem razão de existir. ### Médico diz que família impede necropsia Atualmente, o Serviço de Verificação de Óbitos de Alagoas (SVO) é feito por apenas dois médicos, que são remunerados pelas Secretarias Municipal e Estadual de Saúde e que usam as instalações do Instituto Médico Legal (IML) para realizar os trabalhos. Um deles é o legista José Bastos Barroso, que já foi diretor do IML. Ele é apontado como o médico que mais assinou declarações de óbito com causa indefinida. Só em 2005 foram cerca de 300. Ele não quis dar entrevista, mas seu companheiro de ofício no IML falou. ///