Cidades
Reforma agr�ria avan�a em Maragogi
SEVERINO CARVALHO Repórter Maragogi ? Nos últimos anos, em Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas, o número de assentamentos passou de 14 para 16 e chegará a 19 com a recente imissão de posse de outras três áreas, se consolidando como o maior pólo da reforma agrária de Alagoas. Da terra irrompem lavouras onde antes só existia cana-de-açúcar, mas a discórdia também se ramifica. A maioria dos lotes apresenta baixa produção e sérios problemas estruturais. Apesar disso e da oposição de determinados setores econômicos, os sem-terra defendem a criação de novos núcleos para assentar, ao menos, 635 famílias que aguardam um pedaço de terra, acampadas à beira da pista ou dentro das propriedades reivindicadas. A reestruturação dos assentamentos existentes tembém é tema recorrente. ### Disponibilidade de terras em confronto com déficit social Maragogi ? ?Nós podemos pegar dois viés para justificar que Maragogi comporta mais assentamentos: o município ainda possui grandes faixas de terras destinadas à cana-de-açúcar, por isso, tem espaço para mais assentamentos?, explica Débora Nunes, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). ### Protestos têm prejudicado o turismo Maragogi ? Nos últimos meses Maragogi ganhou mais três projetos de assentamentos: Margarida Alves (40 famílias da Comissão Pastoral da Terra - CPT), Santa Luzia (60 famílias do Movimento de Libertação dos Sem-Terra - MLST) e Osiel Alves (80 famílias do MST). Durante imissão de posse deste último, no dia 4 deste mês, o coordenador estadual do MST, José Roberto da Silva, criticou a postura dos empresários do setor turístico, que, segundo ele, combatem o modo de agir dos movimentos sociais. te. O foco seria a reestruturação dos núcleos da reforma agrária já existentes, antes de criar novos assentamentos. ### Lotes apresentam baixa produtividade Maragogi ? A reforma agrária em Maragogi despontou na segunda metade da década de 1990. Os movimentos sociais avançaram sobre as terras ocupadas pela monocultura da cana-de-açúcar, com o fechamento da Central Açucareira Barreiros, de Pernambuco. Anos depois, grande parte dos lotes de terra ainda apresenta baixa produtividade, mas exemplos de sucesso e de dedicação não faltam, mesmo diante das dificuldades. ### Agricultores superam adversidades Maragogi ? Mesmo sem energia elétrica e água encanada em sua propriedade, Joventino Gouveia usa a criatividade para irrigar as plantações. Bem servida por ribeiros ? parte do lote dele fica num baixio ? a parcela de pouco mais de 5 hectares é regada artesanalmente. ?Faço a irrigação de raiz, fechando o córrego e fazendo valas. Só falta a energia chegar no lote para eu fazer a irrigação de folha e produzir melhor?, deseja. Os produtos são cultivados sem o uso de agrotóxicos e comercializados na feira do município. Dezenas de outros Gouveias estão espalhados pelos assentamentos de Maragogi. ### Violência entre os sem-terra aumenta Maragogi ? Os casos de violência envolvendo trabalhadores rurais sem-terra cresceram nas últimas semanas em Maragogi. No dia 2 de novembro, dois agricultores do acampamento Mundo Novo, pertencente ao Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), foram executados a tiros e um ficou ferido. Na semana passada, integrantes do MTL tentaram matar um componente do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) a golpes de foice. Os ânimos também se acirraram na Fazenda Canabrava, onde MLST, MTL e MST disputam a mesma propriedade. ///