Cidades
Safra d� lucro e cria emprego no campo
Niviane Rodrigues Repórter O fogo nos verdes canaviais assinala para mais um período de bonança no campo. Ao contrário de destruição, as queimadas marcam a temporada da safra da cana-de-açúcar, planta que sustenta a economia do Nordeste brasileiro desde o período colonial e transforma as usinas em imensos centros de produção. A colheita começou em setembro e vai durar até março, período chamado de entressafra, quando a moagem da cana é encerrada e inicia-se o preparo da terra para uma nova etapa de plantio. Nas usinas, as moendas estão a todo vapor. Caminhões carregados de cana não param de chegar. O trabalho é ininterrupto e a aposta é de uma boa safra. Açúcar e álcool devem alcançar aumento nos índices de produção em Alagoas em relação à safra de 2005/2006. ### Trabalhador corta até 19 toneladas de cana por dia Os primeiros raios de sol ainda não surgiram e os trabalhadores já estão de pé, preparados para mais uma jornada no campo. Dali para frente serão oito, 11 horas de trabalho interrompido somente para uma rápida refeição, preparada na véspera e disposta em pequenas marmitas. A comida, consumida muitas horas depois, no meio do canavial, deu origem ao nome bóias-frias. Do alojamento, vão seguir em ônibus até o canavial, onde passarão o dia. ### Na entressafra, trabalho é no plantio Dos 3.850 trabalhadores contratados pela usina, 2.500 estão empregados no corte da cana. Desse total, 1.800 são do Sertão e estão alojados na própria usina. Os demais são de cidades vizinha a Coruripe e diariamente seguem para os canaviais nos ônibus da empresa. Noventa por cento dos sertanejos são pequenos produtores rurais na região e se destacam pela agilidade na produção, 30% superior a dos demais trabalhadores. ?Eles vêm aqui com um objetivo definido de ganhar dinheiro e investir no pedacinho de terra que deixaram no Sertão?, justifica Sebastião Guimarães. ### Agricultores ficam 6 meses longe de casa No canavial, as áreas são divididas. Cortador, fiscal de mão-de-obra, supervisor, agenciador e coordenador. Cada um se encarrega do seu trabalho, mas todos têm a mesma meta: a produção. O serviço no eito não pode parar e todos acabam funcionando como uma espécie de fiscal uns dos outros. Até o tipo de solo e de cana plantada é escolhido pelos fiscais para distribuir neles os cortadores. Para os solos mais difíceis de trabalhar, como o de várzea, e o tipo de cana, vão os mais experientes e eficientes. ### Monocultura inicia povoamento O processo de povoamento da vila de Alagoas, no século XVI, foi determinado pela monocultura da cana-de-açúcar. Nessa época, segundo relata o historiador Manuel Correia de Andrade no livro ?Usinas e destilarias das Alagoas, uma contribuição ao estudo da produção no espaço?, da editora Edufal, Cristóvão Lins, um fidalgo alemão, obteve grande sesmaria e fundou cinco engenhos de açúcar nos vales do Manguaba e do Camaragibe. Os primeiros engenhos eram movidos a água ou tração animal. ### Competir com o Centro-Sul é desafio Permanecer competitivo no mercado tanto quanto estados do Centro-Sul do País (São Paulo, Minas Gerais, Paraná, entre outros) é o principal desafio do setor açucareiro em Alagoas. Para isso, o setor investe em novas tecnologias, irrigação e em melhoramento genético da cana-de-açúcar. Os resultados têm dado certo. Segundo o gerente Agrícola da Usina Coruripe, o engenheiro agrônomo Cícero Augusto Almeida, as condições climáticas do Sul e Sudeste, com melhor distribuição de chuva, solos de alta fertilidade, garantem uma maior estabilidade natural da produção. ### Entidades apertam cerco a usinas para garantir direitos Nem tudo no campo é bonança. Com a chegada da safra aumenta a preocupação para os que comandam as entidades responsáveis pelo controle das relações trabalhistas e de segurança de transporte. É nessa época que acidentes envolvendo trabalhadores rurais costumam ser mais freqüentes. ### Safra de AL deve ficar em 25,5 milhões de toneladas Até a safra de 2003/2004 Alagoas ocupava o terceiro lugar no Brasil em produção de açúcar. A partir daí, o Estado perdeu a posição para Minas Gerais e hoje é o quarto colocado no ranking nacional. À frente de Alagoas estão, além de Minas, São Paulo, que responde por mais da metade do açúcar produzido no Brasil, com 290 milhões de toneladas e o Paraná. No Nordeste, Alagoas se mantém à frente dos demais produtores, com 25,5 milhões de toneladas, ficando bem à frente do segundo colocado, o vizinho Estado de Pernambuco, que produz entre 15 a 16 milhões de toneladas de açúcar. ///