Cidades
Alagoas mostra seu talento em Festival
| CARLA SERQUEIRA Repórter As agências alagoanas de propaganda foram as grandes vencedoras do 1° Festival Gazeta de Publicidade, que reuniu trabalhos de todo o Nordeste brasileiro, no Centro de Convenções de Maceió, no último fim de semana. Das 14 categorias premiadas, o Estado conquistou dez, provando que a propaganda produzida em Alagoas é uma das mais criativas do País. Com júri formado por profissionais renomados e atuantes nas maiores agências do Sul e do Sudeste do Brasil, o evento ganhou credibilidade e já tem confirmação da segunda edição para o próximo ano. Iniciativa da Organização Arnon de Mello (OAM), o festival reuniu, entre os dias 30 de novembro e 2 de dezembro, centenas de pessoas, entre profissionais e estudantes, para debater os novos desafios do setor. A chegada da TV digital, as vantagens da interatividade e o humor como ?ingrediente? nos anúncios foram alguns dos temas conferidos nas palestras, ministradas por criadores de famosas campanhas nacionais, como as propagandas da cerveja Brahma e dos bancos Itaú e Caixa Econômica Federal. Mais de 200 peças publicitárias foram julgadas, entre elas, trabalhos da Bahia, Pernambuco, Sergipe, Ceará, Paraíba e até do Maranhão. ?O lançamento deste prêmio é fundamental para o desenvolvimento do mercado local, uma vez que estimula e aproxima ainda mais as agências dos anunciantes?, afirma a gerente de Marketing da OAM, Vania Amorim. ?Nós, como empresa de comunicação, temos o dever de incentivar e reconhecer o potencial das agências alagoanas?, diz ela, ao frisar que a qualidade da programação da TV Gazeta também colabora para a evolução dos comerciais locais. ?A idéia de premiar o público universitário é outro diferencial do festival. Muitas vezes os alunos produzem peças criativas, mas não têm oportunidade de exibi-las?. Vânia Amorim destaca ainda a isenção do júri, formado por Cássio Zanatta, diretor de criação da Almap/BBDO; Bruno Landi, da DPZ; e Stalinir Vieira, da Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap). ?Nenhum deles é do Nordeste. O júri foi todo indicado pela Abap. Não tivemos nenhuma participação na escolha dos premiados?, afirma. Márcio Yabe, parceiro da OAM e um dos organizadores do festival, garante: ?Eu coordenei os trabalhos do júri e testemunhei a rigidez da avaliação. Alagoas ganhou a maioria dos prêmios por pura competência. O Zanatta, por exemplo, já julgou peças no Festival de Publicidade de Cannes, um dos mais concorridos do mundo?, explica ele. Em constante contato com as agências locais, o diretor comercial da Gazeta, Leonardo Simões, diz que o mercado publicitário evolui a cada ano no Estado. ?O festival é uma oportunidade de aproximar os veteranos dos jovens profissionais da propaganda. A Chama Publicidade, por exemplo, tem 30 anos no mercado e muito o que ensinar à moçada?. Ele conta que o trabalho dos universitários foi bastante valorizado no Festival. ?A primeira categoria premiada foi a dos universitários, o que garantiu todas as atenções voltadas para eles, que produziram peças de nível profissional?. Para o diretor comercial das rádios Gazeta AM e FM e da TV Gazeta, Ademar de Sena, o mais importante do Festival, além de evidenciar a qualidade da propaganda local, foi a troca de idéias entre os participantes. ?Com esta troca, todas as agências crescem e os consumidores acabam ganhando com isso, pois em casa, enquanto descansam assistindo televisão, lendo ou ouvindo o rádio, terão intervalos comerciais cada vez mais atrativos e inteligentes. É bom lembrar que além de informação e estratégia de negócio, a publicidade é também arte?, observa. ### Estudante vence falando de egoísmo Antônio Lucas Maia tem 21 anos, cursa o 6° período de Publicidade e Propaganda e só vai se formar no final de 2007. Mas o seu talento já foi reconhecido. Ele foi o vencedor da categoria reservada aos trabalhos universitários. O tema era Responsabilidade Social. ?Acordei de madrugada com a idéia. Pulei da cama e tomei nota. O meu projeto chama atenção para o mundo que existe além do umbigo de cada um?, conta. Para ele, participar do Festival foi uma oportunidade de testar a própria originalidade. ?É difícil concorrer em festivais fora de Alagoas. Graças à Organização Arnon de Mello, eu pude competir com universitários de outros Estados e avaliar o meu desempenho?, explica Lucas, ao falar das palestras. ?Sem dúvida, elas contribuíram para a minha formação. É fundamental ter acesso ao que as grandes agências estão discutindo no Brasil?, diz. Entre as agências, a Chama e a Antares foram as campeãs da noite, cada uma vencendo em quatro categorias. Incluídas nas classes ?local? e ?regional?, as empresas alagoanas puderam concorrer tanto com agências de outros Estados do Nordeste, como com agências apenas de Alagoas. As categorias foram divididas em ?Mercado? (produtos ou serviços), ?Institucional? (marcas, causas, idéias ou instituições), e ?Campanhas? (conjunto de comerciais). Cada categoria foi subdividida em anúncio de rádio, jornal e TV. Diretor de criação da Chama, Hermann Fernandes diz que os prêmios ajudam a acabar com as chamadas ?agências de resultados?, focadas apenas em faturamento. ?A nossa vitória prova que dá para ser criativo, mesmo tendo um volume grande de trabalho?, diz ele, que ao lado de sua equipe formada por Zacarias Cabral, Ronald Hancock e Benjamin Brige venceu nas categorias Mercado/Rádio, com um jingle do Rey Auto Peças, nas classes regional e local; e em Mercado/TV, com um vídeo da Apala, também nas duas classes. Já a agência Antares conquistou prêmios nas categorias Institucional/Impresso, com um anúncio da associação dos advogados (tanto na classe local, como regional); Institucional/TV, com um vídeo sobre o São João de Alagoas (na classe local); e na categoria Campanha/TV, com a progaganda do Festival da Natureza em Murici. ?Nas nossas peças buscamos trabalhar com humor, que muitas vezes surge a partir do clima descontraído de trabalho na agência?, diz Henrique Brasileiro, diretor de arte da Antares. ?Percebemos que os anunciantes estão amadurecendo e se tornando cada vez mais receptivos à novas idéias?, comenta Alan Arnaud, diretor de criação da empresa, ao lado de Fernando Jean, que explica: ?A criação termina sendo de toda a equipe. A troca de idéias é fundamental?. |CS ### Alagoano reinventa os Classificados Criada há seis anos, a agência Promarka mudou a maneira tradicional de anunciar nos Classificados da Gazeta. ?Para chamar atenção dos interessados em adquirir um imóvel sobre a necessidade do registro em cartório, resolvemos colocar a figura de dois bolos de areia no jornal?, diz Silvano Almeida, diretor da agência que, disputando com empresas alagoanas, foi premiado na categoria Mercado/Impresso. ?Por ser mais barato anunciar no jornal, o custo benefício da peça foi grande?, observa Silvano, ao falar da importância do festival. ?O conjunto de palestras foi muito bom. O evento foi inovador e bem organizado. Além disso, o júri era confiável e transparente?. Para ele, ter ampliado a participação para as agências do Nordeste foi importante. ?Percebi que nós, alagoanos, não devemos temer o mercado regional. Temos criatividade suficiente para competir?, garante, ao frisar que as peças produzidas em Alagoas tem qualidade similar das criadas nas regiões sul e sudeste do País. Das agências que atuam fora de Alagoas, a Verbo Comunicação, da Bahia; e a Três Comunicação, da Paraíba, foram as únicas que conquistaram troféus durante o festival. ?Tive a oportunidade de conhecer os publicitários de Alagoas e muitos anunciantes do Estado. O festival foi bastante proveitoso?, conta o baiano Rodrigo Chagas, da Verbo, que venceu na categoria Institucional/Rádio, com o jingle Arraiá das Viúvas. Para o Estado da Paraíba, a agência Três Comunicação levou três troféus. Com bom humor, a agência produziu o vídeo Ditadores, no qual aparecem as figuras de Fidel Castro, Saddan Hussein e Josef Stalin criticando a idéia de um seminário sobre democracia em João Pessoa. A peça levou o prêmio na categoria Institucional/TV. A agência também foi premiada nas categorias Campanha Regional, com a propaganda de um restaurante; e Mercado/Impresso, com o anúncio de um carro. ?O segredo das nossas peças é a simplicidade?, revela Edu Cury, diretor de criação da Três, ao elogiar a qualidade das palestras e a organização do evento. Para o representante em Alagoas da Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap), Bruno Ferreira, o intercâmbio entre as empresas do Nordeste pode atrair novos anunciantes para o Estado. ?O mercado cresce com a troca de informações entre as agências. Além disso, o festival abre portas para empresas de todo o Nordeste virem anunciar aqui?, acredita, ao destacar a importância do evento para o público universitário. ?É uma forma de ampliar ainda mais a visão sobre os rumos da publicidade no País. As palestras foram excelentes?, observa Bruno, que elogiou também a isenção do júri. |CS ### Estado e município têm papel decisivo O mercado de publicidade em Alagoas tem dois grandes investidores: a prefeitura e o governo estadual. Ambos, em 2006, aplicaram, juntos, cerca de R$ 15 milhões no setor, entre produção de anúncios nas agências e veiculação deles na mídia. ?O governo de Alagoas investe, em média, R$ 900 mil por mês em publicidade?, informa Joaldo Cavalcante, secretário estadual de Comunicação. Já a prefeitura, segundo Marcelo Firmino, secretário municipal de Comunicação, destinou este ano R$ 4 milhões para o mercado. ?No ano que vem, o orçamento deve crescer em 25%?, anuncia. Numa forma de homenagear o trabalho de Joaldo Cavalcante e de Marcelo Firmino à frente de cada secretaria, e por reconhecer a importante colaboração e o empenho de ambos no desenvolvimento do mercado publicitário em Alagoas, a Organização Arnon de Mello (OAM), durante o 1° Festival Gazeta de Publicidade, entregou a cada um deles uma placa, reafirmando o bom relacionamento que os dois órgãos mantêm com as empresas da OAM. ?O trabalho das secretarias municipal e estadual de comunicação junto às agências de publicidade é de extrema relevância para alavancar o setor?, considera Vania Amorim, diretora de Marketing da OAM. Joaldo Cavalcante disse que a homenagem recebida foi motivo de muita alegria. ?Estamos vendo que o mercado publicitário de Alagoas está em expansão e o governo estadual tem a sua cota de responsabilidade nesta conquista?. Para ele, outro fator que tem contribuído para a evolução da propaganda local é o processo de democratização, que ele afirma estar ocorrendo nas contratações feitas pelo governo. ?Este ano, a maioria das agências de Alagoas trabalhou nas peças oficiais. Antes, isso não ocorria. As agências eram contratadas fora do Estado?, revela, ao frisar que aposta na inteligência criativa das agências alagoanas. O secretário diz que o mercado publicitário gerou empregos e renda nos últimos anos. ?Os governos, tanto estadual como municipal, têm o dever de prestar contas à sociedade e isso ocorre por meio das parcerias firmadas entre as agências e as empresas de comunicação, o que acaba fomentando o mercado?, explica, sem deixar de fazer uma crítica a atual gestão do governo de Alagoas. ?Deixo uma crítica ao governo do qual eu mesmo faço parte. O Estado investiu pouco em comunicação. Foi o governo que menos investiu no País. Eu espero que a próxima gestão mude isso?, diz Cavalcante. Já o secretário municipal de Comunicação, Marcelo Firmino, afirma que o reconhecimento feito pela OAM ao trabalho que desempenha no órgão que dirige aumenta ainda mais a responsabilidade da prefeitura no mercado de publicidade em Maceió. ?Pela primeira vez na história, a prefeitura, na atual gestão, realizou processo de licitação para contratar agências de publicidade. No ano que vem, vamos contratar novas agências. Vamos intensificar a propaganda do Estado no Sul e no Sudeste?. Firmino diz que o festival realizado pela OAM veio em boa hora. ?Este é o momento em que a publicidade local está em plena expansão, ultrapassando barreiras, conquistando mercados. A OAM está de parabéns por realizar este evento de forma tão inovadora?, afirma, ao explicar que o 1° Festival Gazeta de Publicidade proprorciona também a troca de experiências entre as agências alagoanas e outras do Nordeste. ?Este intercâmbio é muito rico para o mercado local. As agências alagoanas têm a oportunidade de conhecer conceitos novos, equipamentos utilizados em outros Estados, e até novas formas de captar clientes?. Para ele, o festival é também uma forma de divulgar a capacidade de organização do Estado. ?A organização do festival foi elogiada e isso é muito positivo para a imagem de Alagoas?.