Cidades
�ndios preparam legado para gera��es
Niviane Rodrigues Repórter A escola é o ponto de encontro para o início do ritual. Aos poucos, os rostos começam a ganhar colorido da pintura feita com uma tinta escura. Colares, cocás, brincos e pulseiras complementam os adornos. É hora de seguir para a mata, onde o grupo dançará o toré, invocando aos deuses saúde e paz. O líder da turma, um adolescente nascido na aldeia, comanda a dança, que é seguida pelos menores. O ritual faz parte de uma das mais antigas tradições dos xucurus kariris, tribo indígena localizada em Palmeira dos Índios, no Sertão de Alagoas. Na aldeia Mata da Cafurna, no alto de uma serra onde vivem pouco mais de 500 moradores, crianças e adolescentes dançam para manter os costumes passados pelos mais velhos e ameaçados pela ocupação do homem branco. ### ?Tenho muito orgulho de ser índia? Os curumins, como são chamados os pequenos índios, têm lugar de destaque nas reuniões do Conselho Tribal, participam dos projetos político-pedagógicos da escola e de ações de limpeza da aldeia. Tudo para que estejam sempre envolvidos com as lutas da comunidade. Ensinamentos que eles parecem ter aprendido bem. Niranike tem 13 anos, cursa a 8ª série do ensino fundamental e sente orgulho de sua origem. Não pensa em deixar o lugar onde nasceu e tudo o que sonha é conquistar uma profissão para ajudar seu povo. ### Ervas dão prêmio à aldeia Wassu Cocal Aldeia pretende resgatar tratamentos usados pelos ancestrais para curar doenças com a ajuda das plantas É da mata que os índios da tribo Wassu Cocal, no município de Joaquim Gomes, querem voltar a obter a fonte de saúde para as atuais e futuras gerações, como faziam seus ancestrais. Com uma variedade de plantas, raízes, sementes e frutas, os índios querem transformar as ervas em xaropes, ?garrafadas?, chás e outros ungüentos que garantem curar das mais simples às mais graves doenças. O projeto ?Buscando valores culturais através das ervas?, premiado pelo Ministério da Cultura, foi elaborado pela diretoria da Associação de Pais Mestres da tribo e a proposta é preservar a cultura por meio das plantas. ### Cimi teme que premiação desagregue comunidades O anúncio da premiação a tribos indígenas de Alagoas pelo Ministério da Cultura não é visto com bons olhos pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em Alagoas, que considera a proposta um passo para a desagregação das comunidades. ?Prêmio como esse representa um grande perigo; um risco de tornar folclórica a questão indígena?, diz Jorge Vieira, integrante do Cimi em Alagoas. Ele entende que se é para incentivar a causa indígena e dar condições de sobrevivência aos índios, ?que o governo ponha em prática políticas públicas que atinjam toda a comunidade, e não grupos isoladamente. ///