Cidades
Ano do descobrimento do Brasil foi de seca no sert�o
Se Pedro Álvares Cabral tivesse penetrado cinqüenta léguas para o interior, em 1500, também teria ?descoberto? a seca no sertão nordestino. O aviso consta na literatura da seca, elaborada pelo Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS) e à disposição do público na biblioteca do órgão, em Fortaleza. A afirmativa se baseia no fato dos anos de números repetidos (1500 tem número repetido) ter sido sempre de estiagem. Como Pedro Álvares Cabral se limitou ao litoral, quem acabou ?descobrindo? a seca foi o jesuíta Fernão Cardim, em 1573, durante trabalhos de catequese onde hoje estão as divisas entre os Estados da Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. De acordo com o registro do DNOCS, o jesuíta acolheu dois mil índios fugitivos da seca na região. O pioneiro Os problemas causados pela estiagem no sertão nordestino são antigos, anteriores ao ?descobrimento? do Brasil, conforme o relato histórico do DNOCS. O jesuíta Fernão Cardim não foi o pioneiro apenas no registro da seca, mas também dos primeiros flagelados ? os índios que ele acolheu, salvando da fome causada pela estiagem prolongada na região, entre os anos de 1573 e 1577 (novamente ano de número repetido). O que chama a atenção são as propostas para solucionar o problema causado pela seca e que se repetem desde a época do Império. Em 1859, segundo o histórico do DNOCS, o governo imperial criou a Comissão Científica de Exploração para Levantamento Geográfico do Semi-Árido. Os primeiros brasileiros reunidos numa comissão para estudar a seca foram: o Barão de Capanema (geologia), os naturalistas Freire Alemão (flora) e Manoel Ferreira (fauna), o poeta Gonçalves Dias (etnografia), o comandante Giácomo Raja Gabaglia (cartografia) e os botânicos Alberto Loefgren e Phillips von Luetzelburg. A comissão pioneira sugeriu ao governo investir em obras destinadas à acumulação e armazenamento de água. O governo imperial criou então a Pia Agrícola, destinando 0,4% do orçamento da União para as obras de combate aos efeitos da seca. Mas a Pia Agrícola acabou extinta, depois das denúncias de desvio de dinheiro para a construção de açudes no Ceará. Durante a República, foi criada a Inspetoria, que também foi extinta, devido às denúncias de corrupção com o dinheiro da seca. Somente na década de 1920 é que o governo decidiu criar nova comissão, que deu origem ao Departamento Nacional de Obras contra a Seca.