Cidades
Caju an�o anima produtores sertanejos
MAIKEL MARQUES Repórter Olho d?Água das Flores ? O Sertão que carece de perspectivas econômicas e onde a falta de água potável inviabiliza milhares de vidas também abriga pequenos, mas louváveis projetos de pesquisa que atestam a viabilidade da região com relação à agricultura de subsistência. Agricultores do Povoado Areias, em Olho d?Água das Flores, mesmo em condições de escassez de líquido, apostam no plantio de cajus clonados [importados do Ceará] e cultivados por meio da técnica do ?gotejamento de salvação?, com base em garrafas plásticas de refrigerante. ### Sertão vende castanha a preço irrisório Olho d?Água das Flores ? Não há estatística oficial sobre a produção de caju em Alagoas, mas técnicos, agrônomos e agricultores garantem: o Sertão de Alagoas é grande exportador da castanha in natura porque não dispõe de estrutura para beneficiá-la e comercializá-la com valor agregado. Ou seja: a região se notabilizou por vender castanha a preço irrisório para em seguida comprá-la, já beneficiada, por indústrias de Sergipe, Pernambuco e Ceará. ### Cachaça e moqueca de caju são atrações da comunidade Olho d?Água das Flores ? As comadres Gerusa Alves, 46, e Vera dos Santos, 43, deram prova de que a culinária sertaneja pode agradar ao mais refinado dos paladares. Elas recepcionaram a reportagem da Gazeta, na última quarta-feira, com verdadeiro banquete baseado no pedúnculo (polpa) do caju. Residente desde a infância no Povoado Areias, Gerusa abriu a porta de sua residência para convidados ? dentre os quais políticos locais ?, que se deliciaram com o prato de entrada, uma saborosa moqueca de caju. ### Palma forrageira vale ouro no Sertão Santana do Ipanema ? A tradicional palma forrageira, totalmente adaptada à caatinga e principal fonte de alimentação para o rebanho bovino sertanejo, encontra ambiente favorável e se desenvolve em terras com poucos recursos hídricos. No inverno, não passa de subproduto das propriedades da região. No verão, vira produto disputado e encontra grande valorização na economia da região. ?Uma tarefa de palma hoje vale até R$ 1.000. ### Farelo de palma surge como alternativa Santana do Ipanema ? Os pesquisadores Cícero Fernandes de Brito e José Fernando Gomes também estudam e já colhem ?excelentes? resultados práticos com a produção do farelo enriquecido de palma forrageira, considerado ?excelente suplemento alimentar? para o rebanho bovino sertanejo, mas que também encontra dificuldades para ser divulgado. O farelo é produzido a partir de um processo de desidratação: depois da trituração, a palma passa pelo triturador e recebe minerais. Sofre fermentação durante 24 horas e depois fica exposta por três dias até atingir o ponto de consumo. ///