Cidades
Juiz afirma que teve medo de morrer
Regina Carvalho Repórter Após cerca de 55 horas em poder de seqüestradores, o presidente da Associação Alagoana de Magistrados (Almagis), o juiz Paulo Zacarias da Silva, 52, reencontrou parentes e amigos, no início da manhã de ontem. Ainda debilitado, o magistrado resumiu em poucas frases o tempo que passou sob a mira de revólveres, ao relento, com olhos vendados, sem água e comida e sem dormir. ?Não desejaria o que passei nem mesmo ao meu pior inimigo. Sim, tive medo que me matassem. Quando cheguei em casa só pensei em tomar um banho e dar um beijo na minha mulher?, declarou. ### Pelo menos seis bandidos foram ao cativeiro Por volta das duas horas da madrugada de ontem, José Valério, irmão do juiz Paulo Zacarias, deixou o dinheiro no local indicado pelos bandidos e esperou o contato que avisaria que o juiz teria sido solto. Isso deveria ter acontecido meia hora após o pagamento do resgate. Mas não aconteceu. Os seqüestradores não contactaram a família, o que aumentou a angústia, que acabou somente quando Paulo Zacarias chegou em casa trazido por uma van. Ele foi atendido por um médico em sua própria residência. ### ?Querem desestabilizar o Judiciário? | Regina Carvalho Repórter Durante a manhã de ontem, o juiz Paulo Zacarias falou sobre os seqüestradores. Ele acredita que o bando é ?experiente? nesse tipo de crime. ?Eles são muito organizados. Depois que eu saí, eles ficaram arrumando o cativeiro, que deve ser para outra pessoa que já deve ter sido seqüestrada e está lá. Toda vez que o rapaz vinha falar em dinheiro apontava a arma para a minha cabeça e dizia: sua família não está lhe dando valor. Eles têm que dar o dinheiro. Aí eles falavam: você ganha bem. ### Fragilidade de segurança facilita crimes | Marcos Rodrigues Repórter Os quase três dias de agonia e desconforto vividos pelo juiz Paulo Zacarias da Silva foram relembrados por ele na tarde de ontem durante entrevista coletiva na sede da Associação dos Magistrados de Alagoas (Almagis), que é presidida por ele. O juiz contou detalhes da pressão psicológica da qual foi vítima, enquanto ficou em poder dos seqüestradores. Mesmo depois da violência sofrida ele surpreendeu ao ser contrário à intervenção federal no Estado, como chegaram a defender companheiros de toga. ### Possível cativeiro seria fazenda de Davino | Regina Carvalho Marcos Rodrigues Repórteres Antes de reconhecer os cativeiros que ficou por quase três dias, o juiz Paulo Zacarias foi levado por policiais civis e rodoviários federais a terras da empresa Cinal, que fica entre os municípios de Coqueiro Seco e Santa Luzia do Norte. Vários pontos da propriedade foram percorridos, mas não foram reconhecidos pelo magistrado. A suspeita de que o juiz pudesse ter sido levado para a fazenda surgiu a partir de investigação feita pela Polícia Civil de que a área era usada como ?depósito? de veículos roubados e carcaças. ### Quatro suspeitos são presos e 8 fogem | Anamaria Santiago Repórter Durante uma das operações policiais realizadas ontem na região de Satuba e Coqueiro Seco, foram presas quatro pessoas acusadas de envolvimento no seqüestro do juiz Paulo Zacarias. Dois homens e duas mulheres estavam até ontem à noite detidos no Fórum de Satuba acusados de participar do planejamento e execução do crime. A polícia acredita que mais oito pessoas fazem parte da quadrilha. Entre os foragidos está o homem que seria o chefe do bando, Antônio Luiz dos Santos Silva. ### Postos rodoviários terão operação 24h | Severino Carvalho Repórter Maragogi ? Um dia após determinar a suspensão por 60 dias das férias dos policiais, o comandante-geral da Polícia Militar de Alagoas (PM/AL), coronel Rubens Goulart, anunciou ontem a realização de ?operações 24 horas? em todos os postos do Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual (BPRv) no Estado e obras de melhorias nas unidades desta corporação em Arapiraca, Olho d?Água das Flores e Maragogi. Ele visitou ontem o 6º BPM, sediado neste município, e garantiu que vai manter a escolta a ônibus interestaduais para evitar assaltos. ///