Cidades
Lix�o de Uni�o contamina ecossistema
| Lelo Macena Repórter União dos Palmares ? A paisagem é estarrecedora. A menos de 1km da entrada da cidade, em meio a toneladas de lixo, carcaças de animais mortos, urubus e uma nuvem negra de moscas, o Riacho Macacos, outrora caudaloso e de águas límpidas, agoniza. Considerado histórico por ter inspirado o primeiro nome da cidade natal do poeta Jorge de Lima (Cerca Real dos Macacos), um dos mais importantes afluentes do Rio Mundaú é hoje o retrato do descaso e da agressão ambiental que atinge a maioria das cidades alagoanas. ### Riacho abastecia União com água potável União dos Palmares ? Segundo o pesquisador Claudionor de Oliveira, a exagerada produção de lixo de União dos Palmares é depositada, sem critério algum, no lixão instalado há 20 anos em local impróprio e com riscos ambientais e sanitários. ?Todo esse lixo está sendo jogado diretamente no Riacho Macacos, um afluente importante do Rio Mundaú?, lamenta o especialista em recursos hídricos ao lembrar que o mesmo riacho já abasteceu União dos Palmares com água pótavel. Segundo ele, o chorume ? líquido altamente tóxico ?, que escorre do lixão é levado para as águas do Mundaú. ### Famílias ainda sobrevivem catando lixo Famílias já se instalaram e procuram garantir seus espaços em meio aos 25,4 mil metros quadrados do terreno demarcado oficialmente para receber lixo, área que cresce a cada dia. Com o aumento da população de União dos Palmares, foi determinado em 1989 que os resíduos domésticos e urbanos, antes depositados em terrenos nos arredores da cidade, seriam jogados numa área da Fazenda Camaratuba, acerca de 800 metros do perímetro urbano, às margens da BR-104, local atual do lixão da cidade. ### Comunidades temem desastre ecológico As comunidades do Benedito Bentes e de Guaxuma já se manifestaram contra a instalação do aterro sanitário e prometem ir às últimas conseqüências para impedir a construção. ?O maior problema que estamos enfrentando para a instalação do aterro em Maceió é a falta de informação da população?, analisa Lauriano Omena, responsável pela Superintendência de Limpeza Urbana (Slum). ### Engenheiro sugere construir 2 aterros ?Depois de uma certa idade comecei a não pensar como engenheiro, minha preocupação agora é com o fim social de cada obra. Nós engenheiros não aprendemos isso na escola. Somos seduzidos pela tecnologia?, filosofa o engenheiro Vinícius Maia Nobre. ?Essa questão do lixão está causando impacto ao meio ambiente, que é nosso agora, mas vai pertencer aos nossos netos e bisnetos, e eles vão enfrentar sérios problemas se não agirmos agora?, afirma o homem responsável por calcular boa parte dos prédios da Ponta Verde e pela realização de obras espalhadas pelo Estado. ///