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Jovens alagoanos desistem da escola

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| Patrycia Monteiro Repórter Williane Rafaele Alves da Silva vive um longo presente contínuo nas ruas do Jaraguá. Sem escola e sem trabalho, o tempo passa lentamente para a garota de 15 anos que mora numa comunidade pobre do bairro. Para falar sobre os estudos, Williane conjuga apenas verbos no passado. ?Eu parei há três anos, sabe? É que eu tenho problema de vista e por isso não consigo entender as coisas. Além disso, quando a minha família se mudou do Benedito Bentes para cá o meu registro de nascimento foi perdido. Daí o porquê de eu estar fora da sala de aula?, justifica. ### Trabalho não é motivo de abandono O estudo da Fundação Getúlio Vargas indica outra realidade reveladora. Ao contrário do que imagina o senso comum, os jovens com idade entre 15 e 17 anos não abandonam a escola por causa da necessidade de trabalhar e de contribuir para a composição da renda familiar. Apenas 4,34% deles em Alagoas alegam esse motivo para deixar de estudar. A oferta de salas de aula também não é a razão alegada pela maioria ? apenas 2,05% não dão continuidade aos estudos por causa disso. O desinteresse, a rejeição pela escola oferecida, é o que afasta 9,81% do total de jovens dessa faixa etária das instituições de ensino. ### ?Estudante da rede pública é herói? Para serem mais atrativas, segundo Élcio Verçosa, as escolas deveriam ter áreas abertas como quadras poliesportivas, onde os estudantes pudessem exercer atividades culturais e esportivas. Mas, ao contrário, o que se vê nas escolas públicas em geral são pátios desequipados. Para Verçosa, os professores da rede pública deveriam incrementar as aulas diversificando o método. ?Como essa garotada é mais livre, o ideal seria levá-la vez por outra para participar de atividades extra-classe, tal qual se faz nas escolas privadas, onde os meninos participam de excursões ou vão ao supermercado para desenvolver atividades que ensinam a calcular preços, a somar, subtrair...?, sugere. ### Baixo rendimento se reflete no Enem O índice de permanência do aluno alagoano com idade entre 15 e 17 anos na escola é o 9º menor do Brasil. O percentual é calculado pela jornada média de horas de aulas diárias, além da presença e o número de matrículas. Em Alagoas, 78,54% dos jovens dessa faixa estão na escola e têm uma jornada escolar de 3,52 horas. Com isso, o índice de permanência no Estado é de 53,1%. Vale ressaltar que, quanto mais tempo o aluno passa na escola, maiores são as chances de ele elevar seu nível de aprendizado. ///

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