Cidades
Moradores se sentem encurralados
Carla Serqueira Repórter Moradores de Guaxuma se sentem encurralados. Privados do debate público referente ao futuro da construção civil no local ? que já pode erguer prédios de 20 andares à beira-mar ?, agora se vêem ignorados no processo que define o bairro como melhor área para receber o aterro sanitário de Maceió. Mas mandam avisar: vão resistir e querem anular as determinações da prefeitura. Em pouco tempo, eles temem perder a bela vista para o mar, a ventilação natural, a limpeza da praia considerada, ao lado de Garça Torta e Riacho Doce, a mais recomendada para o banho na capital, o silêncio longe de ruas engarrafadas, as áreas verdes que ainda restam ? onde é possível, inclusive, conviver com pássaros, sagüis e guaxinins. ### ?Aterro é paliativo pouco inteligente? O gerenciamento do futuro aterro de Maceió também preocupa os moradores de Guaxuma. Para a coordenadora do mestrado da Universidade Federal de Alagoas no Programa Regional em Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema), Cecília Lustosa, moradora do Litoral Norte há mais de vinte anos, o aterro é um paliativo ?pouco inteligente? como destinação do lixo da capital. ?Esse aterro é programado para durar, no máximo, 20 anos. O tempo é muito curto. ### Mudança preocupa construção civil Na tentativa de barrar a ida do aterro sanitário para Guaxuma, a associação dos moradores do bairro se articula com lideranças de outras localidades do Litoral Norte para realizar manifestações e um abaixo-assinado. Domingo passado, eles panfletaram em Jacarecica. Neste fim de semana, eles prometem atuar no Riacho Doce e Garça Torta. ?O objetivo é reabrir o debate com a prefeitura. Nossa preocupação maior é com o meio ambiente. Temos muitas bacias, não queremos que Guaxuma vire a Cruz das Almas, onde o mar e os rios estão condenados?, diz o presidente da associação, William Salim. ### Obra deve ter vida útil de 20 anos | Patrycia Monteiro Repórter Embora seja considerada por especialistas a melhor solução em termos de tratamento de lixo, os aterros sanitários ainda não estão plenamente difundidos no País. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PSNB), realizada pela Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano 2000, o lançamento de resíduos sólidos a céu aberto, os famosos lixões, são a alternativa utilizada por 63% das comunidades brasileiras. Os aterros controlados representam 18% do tratamento do lixo nacional e os aterros sanitários 14%. ///