Cidades
Africano encontra ref�gio em Alagoas
Vitória Alcântara Repórter A primeira visão que o somaliano Hussein Salim teve da costa alagoana não acrescentou muito ao que ele sabia sobre o Brasil. Era noite e do navio em que viajava como clandestino Salim só conseguia ver as luzes trêmulas dos prédios de Maceió. Continuava na ignorância sobre a terra que iria acolhê-lo após uma longa jornada da África até a América do Sul. Tudo o que sabia do Brasil se resumia a futebol, carnaval e ao que aprendeu na escola: aqui se falava o português. ### Número de refugiados aumenta 14% Eles são obrigados a deixar para trás uma vida inteira e tudo aquilo que construíram ao longo de anos. Trabalho, amigos, lar e até a própria família. Muitas vezes atravessam as fronteiras do país onde vivem somente com a roupa do corpo e um único objetivo: sobreviver. Chamadas de refugiadas, essas pessoas são expulsas da terra onde nasceram pela guerra, dominação estrangeira ou em virtude da sua raça, religião, nacionalidade, sexo, opiniões políticas e filiação a certo grupo social. ### Conare regula questão no Brasil No Brasil, o órgão responsável pelas pessoas que são obrigadas a deixar seu país de origem e tentar abrigo em outra nação é o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare). Criado pela Lei nº 9.474, de 22 de julho de 1997, o Conare é o órgão colegiado, vinculado ao Ministério da Justiça, que reúne segmentos representativos da área governamental, da Sociedade Civil e das Nações Unidas. ### Alagoana faz pesquisa em Moçambique Era para ter sido uma viagem de turismo por alguns países do continente africano. Mas um bando de adolescentes caminhando a esmo por uma das estradas da Namíbia, país localizado no sudoeste da África, mudou o roteiro da viagem e também a vida da alagoana de Coruripe e formanda em Direito pelo Cesmac, Maria das Graças de Oliveira Olsson, 43 anos. Curiosa, Grace ? como é carinhosamente chamada por amigos e parentes ? perguntou ao guia turístico quem eram as meninas e pediu para falar com elas. Apesar de resistir ao pedido, o guia acabou parando o carro. ### Pequenos perdem infância em campos ?O que se percebe no olhar da criança refugiada é que ela não tem costume de receber um gesto de carinho, atenção, afeto. E quando isso acontece (...) elas reagem de forma fria e distante?, relata a alagoana Maria das Graças de Oliveira Olsson, Grace, em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre os direitos das crianças refugiadas e continua: ?Elas vivem com medo e ansiedade (...). Sofrem com má nutrição, malária, diarréia, secreção nasal, dores de cabeça constantes. Na verdade, a criança refugiada é afetada não apenas pelo que acontece, mas por aquilo que lhe é retirado?, afirma. ### Pesquisadora quer ajudar crianças A alagoana Maria das Graças de Oliveira Olsson, 43 anos, nasceu em Coruripe, município do litoral sul de Alagoas, e em 1979 veio morar em Maceió. Determinada, Marias das Graças se formou em Economia e trabalhou por anos como preposto trabalhista de uma empresa da capital. A forma como lidava com as ações e audiências trabalhistas chamou a atenção do patrão, o empresário Antônio Tarcísio da Silva, que a incentivou a fazer o curso de Direito. ///